TROPICÁLIA

TROPICÁLIA

(Tropicália)

2012 , 82 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 14/09/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Marcelo Machado

    Equipe técnica

    Roteiro: Di Moretti, Marcelo Machado

    Produção: Denise Gomes, Paula Cosenza

    Trilha Sonora: Kassin

    Distribuidora: Imagem Filmes

  • Crítica

    12/09/2012 19h08

    A Tropicália completa 50 anos e pode considerar-se plenamente homenageada nas telonas por este documentário que retrata com maestria o movimento que chacoalhou a produção cultural brasileira entre 1967 e 68. A bem da verdade, e já que estamos falando de um movimento multicultural e transgressor, o filme de Marcelo Machado não retrata, escancara em nuances diversas o movimento que sacudiu o Brasil em pleno auge da ditadura militar.

    O grande barato de Tropicália é que ele se imbui da mesma energia do movimento, levando o espectador a fazer uma viagem no tempo por meio de depoimentos, canções da época e material raro de arquivo, que foi regastado e organizado pelo diretor num colorido, informativo e divertido filme.

    Num dos muitos bons momentos do longa, talvez o melhor, Tom Zé se propõe a explicar didaticamente o Tropicalismo para a audiência e chega a conclusão que o movimento é inexplicável, lembrando a declaração do Mutante Sérgio Dias Baptista, que até hoje se pergunta “Qual a cola que juntou essas pessoas todas?” Mas a despeito das sempre irreverentes declarações de Tom, Tropicália consegue compor o diverso quadro da época e, talvez, seja a obra (não só de cinema) que mais se aproximou disso.

    A Tropicália toma conta do filme de Machado como tomou conta do cenário cultural brasileiro de então. Está tudo ali, os cortes de cabelo, as roupas extravagantes e os símbolos bregas que deixaram o público que assistiu ao festival da Record de 1967 sem saber se vaiava ou aplaudia o que via no palco: Caetano cantando Alegria, Alegria e Gil entoando Domingo no Parque ao lado dos Mutantes.

    O longa capta o espírito de renovação que marcou o período e mostra a abrangência indiscutível do movimento, que estendeu seus tentáculos multicoloridos e contraventores ao teatro, com a peça O Rei da Vela, de Zé Celso Martinez, e o longa-metragem Terra em Transe, de Glauber Rocha. Com toda essa expressividade contestadora, não demorou muito para o Tropicalismo cair na boca do povo, ser assunto de matérias em jornais e revistas e tema de discussões filosóficas em mesas de bar.

    Para quem passou pelo momento e quer revivê-lo. Para quem nasceu muitos anos depois e quer entendê-lo, mesmo que na sua essência indescritível. Tropicália é um filme para ser visto com olhos atentos, ouvido com deleite saudosista e experimentado com o espírito da novidade constante, que o movimento jamais perdeu.


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