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TUDO E TODAS AS COISAS

(Everything, Everything, 2016)

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14/06/2017 15h46
por Iara Vasconcelos

Nos últimos anos, Hollywood tem sofrido com um "surto" de filmes com um plot em comum: Garotas muito doentes que descobrem o amor no momento mais difícil de suas vidas. Nós vimos isso em A Culpa É Das Estrelas, Eu, Você E A Garota Que Vai Morrer e agora em Tudo E Todas As Coisas. Aliás, o filme baseado no romance de Nicola Yoon parece ser uma mistura de Romeu e Julieta moderno com o filme estrelado por Shailene Woodley.

O longa tem uma dupla de peso como protagonista. Amandla Stenberg, que você deve se lembrar pelo papel de Rue em Jogos Vorazes, e Nick Robinson, que integra a safra de novos galãs teens de Hollywood. No que diz respeito ao carisma e química entre o casal, Amandla e Nick parecem ser a escolha perfeita. É uma pena que a trama ofereça tão pouco para o desenvolvimento de ambos.

Agarrada a premissa do amor impossível, o filme conta a história de Maddie (Stenberg), garota que sofre com uma doença rara que faz com que seu sistema imunológico seja mais frágil do que o normal. Por conta disso, ela vive reclusa em sua casa sendo cuidada por uma enfermeira particular. Impedida de levar a vida como qualquer adolescente da sua idade, ela passa o tempo livre escrevendo pequenas resenhas de livro em seu blog particular e fazendo cursos de arquitetura online. Entretanto, tudo muda quando ela avista pela primeira vez seu novo vizinho Olly (Nick Robinson) - um garoto com visual de bad boy à la Johnny Depp em Crybaby - da grande janela do seu quarto.

Os olhares de Maddie são retribuídos e logo os dois começam a paquerar de suas respectivas janelas, em uma referência - talvez intencional, talvez não - da varanda em que Romeu e Julieta se encontravam. Entretanto, a garota é proibida de se aproximar do novo vizinho por sua mãe, uma médica super protetora. Mas como todo conto de fadas precisa de uma fada-madrinha, a enfermeira de Maddie consegue facilitar breves encontros entre os dois. O que vem em seguida já era esperado e após sentir o gostinho da liberdade, ela não consegue mais retornar a sua vida monótona e antisséptica.

Apesar da idade, o casal principal consegue segurar a trama com bastante competência, mas acontece que há pouco o que explorar. O personagem de Olly, por exemplo, seria facilmente um coadjuvante se não fosse pela quantidade de cenas em que aparece. Há um momento da trama em que conhecemos um pouco sobre o ambiente tóxico em que ele e sua irmã vivem, mas essa subtrama não é levada adiante.

Tudo E Todas As Coisas só não se perde no mar de clichês graças a sua personagem central, que exala uma autonomia e senso de independência que falta a muitas protagonistas de filmes semelhantes.

A produção também possui a quantidade necessária de alívio cômico, que a impede de ser excessivamente melodramática, e o uso do personagem do astronauta como metáfora para os pensamentos de Maddie também é um elemento criativo e muito bem empregado.

É improvável o "machismo benevolente" desapareça de filmes do gênero, mas podemos notar cada vez mais a intenção de trazer personagens femininas que tenham voz e vontade própria. Por hora, toda mudança é bem vinda.

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