TUDO PELO PODER

TUDO PELO PODER

(The Ides of March)

2011 , 101 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 23/12/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • George Clooney

    Equipe técnica

    Roteiro: Grant Heslov

    Produção: Brian Oliver, George Clooney, Grant Heslov

    Fotografia: Phedon Papamichael

    Estúdio: Smoke House

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Evan Rachel Wood, George Clooney, Jeffrey Wright, Marisa Tomei, Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman, Ryan Gosling

  • Crítica

    20/12/2011 10h00

    George Clooney – o diretor, não o ator – parece fazer filmes não por mero prazer, mas para se posicionar politicamente. Não se trata de completar por trás das câmeras um vácuo artístico quando está à frente delas, mas uma afirmação como sujeito num sociedade norte-americana que esgarça diariamente seus valores.

    Um filme como Boa Noite e Boa Sorte é antes um gesto político, depois artístico. O bom é que, no cinema americano contemporâneo, Clooney é um dos poucos que consegue fazer filmes “importantes”, mas também bons. Filmes de boas intenções, mas também com qualidades além do altruísmo cinematográfico.

    Tudo Pelo Poder não foge a isso. Nobre na proposta e eficiente na execução. Especialmente pelo roteiro de Grant Heslov, amarrado, articulado e cativante, que não perde tempo explicando o que pode ser subentendido. Uma produção que se pretende inteligível, mas nem por isso desrespeita o espectador ou o trata como um ser diminuto, de compreensão limitada.

    No fundo, uma história sobre tornar-se consciente do preço do jogo político (Ryan Gosling), das escolhas erradas (Clooney), da lealdade e falta dela (Philip Seymour Hoffman) e da perda da inocência (Evan Rachel Wood). Há de se ressaltar a habilidade do filme em transformar um assunto cheio de implicações e complexo – as prévias das eleições presidenciais nos Estados Unidos – num instigante suspense político.

    Na trama, acompanhamos a tentativa de Morris (Clooney) em conseguir a indicação do Partido Democrata para a Presidência da República. Stephen (Gosling) e Paul (Hoffman, que se sairia bem interpretando até a Rainha da Inglaterra, tamanho seu talento como ator) são seus principais assessores. Do outro lado da cerca estão o senador Pullman (Michael Mantell), que também busca uma indicação dos Democratas, e seu assessor, Tom (Paul Giamatti, outro gigante da interpretação). Nos bastidores, o apoio do fisiológico senador Thompson (Jeffrey Wright) é fundamental na corrida.

    Se é um filme sobre a perda da inocência, Tudo Pelo Poder é também uma ida ao inferno de cada um dos personagens. Alguns saem dele, outros não, tamanha a reviravolta do enredo. Clooney adota um estilo de direção preciso, certamente influenciado pelo o que o roteiro lhe trouxe.

    A abundância de planos fechados e de cenas baseadas no embate de dois personagens mostra-se coerente com o filme: todos os personagens estão sob uma pressão que apenas a câmera colada conseguiria dar conta – colada, não histérica, diga-se de passagem. É a fricção do conflito que move Tudo Pelo Poder – nesse sentido, muito parecido com Frost/ Nixon.

    Na proximidade da câmera, o talento do elenco salta. É interessante ver o duelo entre Gosling e Giamatti ou Hoffman: trata-se de um ator promissor mirando o que ele pode ser nas próximas décadas. Também tentador é olhar para o sorriso irônico de canto de boca de Clooney e não pensar numa referência direta ao presidente dos Estados Unidos Barack Obama – novamente, a tomada de consciência da politicagem.

    Tudo Pelo Poder é um pequeno exemplo de que filmes relevantes pelo assunto também podem sê-lo pelo talento cinematográfico.

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