TUDO VAI FICAR BEM

TUDO VAI FICAR BEM

(Every Thing Will Be Fine)

2015 , 115 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 10/03/2016

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Win Wenders

    Equipe técnica

    Roteiro: Bjørn Olaf Johannessen

    Produção: Gian-Piero Ringel

    Fotografia: Benoît Debie

    Trilha Sonora: Alexandre Desplat

    Estúdio: Montauk Productions, Neue Road Movies

    Montador: Toni Froschhammer

    Distribuidora: Mares Filmes

    Elenco

    Céline Bonnier, Charlotte Gainsbourg, Jack Fulton, James Franco, Julia Sarah Stone, Julien Boissaud, Lilah Fitzgerald, Marie-Josée Croze, Martin Sims, Patrick Bauchau, Peter Miller, Peter Stormare, Rachel McAdams, Robert Naylor

  • Crítica

    09/03/2016 11h30

    Por Daniel Reininger

    Wim Wenders volta a dirigir uma narrativa de ficção nesse estudo sobre luto, culpa e perdão. Após seu ótimo tributo a Sebastião Salgado no documentário O Sal Da Terra, o alemão não consegue repetir a qualidade de Paris, Texas e cria uma história sem sal, confusa e com atuações medianas. Tudo Vai Ficar Bem só no nome dessa obra, afinal, depois desse longa, era melhor o diretor continuar com documentários.

    Estrelado pelo blasé James Franco no papel de um escritor que leva dez anos para processar um acidente de carro fatal, o longa acompanha Tomas, que já não estava bem antes do acidente. Com bloqueio de escritor, prestes a perder a namorada Sara (Rachel Mcadams) e sem saber qual caminho seguir em sua vida, o personagem já começa mal e fica ainda pior quando, numa nevasca, atropela um garoto, mas salva seu irmão mais velho.

    A mãe dos meninos, Kate, uma melancólica ilustradora, fica perturbada, mas não deseja o mal a Tomas. Só que isso não é o bastante para o protagonista. Tomas não consegue se perdoar, deixa Sara e cai em depressão. Assim começa uma década de catarse emocional desses personagens.

    Tomas é incapaz de ficar longe da cena do crime e passa a ter longas conversas com Kate sobre a natureza da culpa e aceitação, enquanto isso, o garoto que sobreviveu, Christopher, desenvolve uma obsessão pelo homem que matou seu irmão. Certamente há o bastante aqui para um drama lento, mas o roteiro de Johannessen só arranha a superfície e exagera no melodrama.

    O filme não funciona, James Franco não ajuda, mas o problema está também no roteiro e na direção. O enredo dá grandes saltos no tempo que permitem a Wenders e seu roteirista, Bjorn Olaf Johannessen, mostrar a evolução desses personagens, mas o público precisa a todo o momento reaprender quem são esses personagens e como estão suas vidas, e o fato de nenhum deles envelhecer não ajuda.

    E mesmo para um filme sobre um escritor que não consegue lidar com suas emoções, o clima é pesado e sombrio demais, sem alívio, e a fotografia usa planos e perspectivas em camadas, talvez para aproveitar melhor o 3D em lugares fechados, mas essa versão não deve chegar ao Brasil. Porém, por isso, muitas vezes a ação acontece em camadas: em um único quadro vemos diversos planos através de reflexos em vidros. A técnica é boa, mas mantém os espectadores ainda mais distantes desses personagens e atrapalha na questão emocional, que já não é lá essas coisas.

    Sobre o elenco, é triste ver como James Franco parece desinteressado e, nesse filme, me fez lembrar sua péssima atuação como apresentador do Oscar 2011, quando mal conseguia ler suas falas. O mesmo vale para Rachel McAdams, uma garota talentosa, mas que acaba fazendo sempre o mesmo papel de namorada carente. Até mesmo a ótima Charlotte Gainsbourg tem pouco espaço e vive, basicamente, a mesmo personagem atormentada de Anticristo, de Lars Von Trier.

    Tudo Vai Ficar Bem poderia ser um grande drama, mas diálogos forçados, atuações medianas e história desconexa tiram seu brilho. O longa não aproveita bem seus personagens, exagera quando não precisa e é incapaz de fazer o espectador se importar com ninguém da trama. Para um diretor do calibre de Wim Wenders, esse filme é mais do que frustrante, é realmente triste ver como é simplório e desinteressante.

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