ULTRAVIOLETA

ULTRAVIOLETA

(Ultraviolet (2006))

2006 , 87 MIN.

14 anos

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Kurt Wimmer

    Equipe técnica

    Roteiro: Kurt Wimmer

    Produção: John Baldecchi, Lucas Foster

    Fotografia: Arthur Wong, Jimmy Wong

    Trilha Sonora: Klaus Badelt

    Elenco

    Cameron Bright, Ida Martin, Milla Jovovich, Nick Chinlund, Ricardo Mamood, Sebastien Andrieu, William Fichtner

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    No cinema atual, especialmente quando se trata das grandes produções - também conhecidas como blockbusters -, o espectador pode observar a tendência de se adaptar obras de outros meios (como quadrinhos e videogames) em longas-metragens. Ultravioleta vai à contramão desta tendência: o roteiro é inédito, mas parece ser inspirado em algo vindo das HQs - a própria animação de abertura já denuncia isso. Também parece um videogame, mas não é. Na verdade, de acordo com o diretor Kurt Wimmer, idéia do roteiro veio de Gloria (1980). Independente das inspirações - possíveis ou reais -, é possível afirmar que Ultravioleta é um desperdício. Mais precisamente, um desperdício de U$ 30 milhões.

    A trama do filme é uma mistura só. Digamos que é um encontro (ou seria uma batida?) da obra literária supracitada 1984, de George Orwell, com os filmes V de Vingança (2006), Final Fantasy (2001) e Matrix (1999) (especialmente durante a cena na qual a heroína desvia-se das balas). Visualmente, trata-se de um videogame, desses atuais, bem modernos que até curtas-metragens têm entre as fases, sabe? Até no tratamento dos rostos, com efeitos especiais que deixam a pele dos atores meio emborrachada. Até os atores em movimento parecem personagens de videogame. O ritmo também. Só falta o exibidor dar um joy stick para o espectador.

    A heroína de Ultravioleta é Violet (Milla Jovovitch). No futuro, ela faz parte de um grupo relegado ao submundo. Infestados por uma doença sangüínea, desenvolvem características de vampiros - como sensibilidade à luz, caninos desenvolvidos e reflexos apuradíssimos. O governo, por sua vez, tem o objetivo de extingui-los do planeta. É aí que entra Violet que, com toda a sua formosura, está nessa verdadeira guerra contra o arcebispo Daxus (Nick Chinlund), tirano que governa soberano o planeta. Em uma de suas missões, ela encontra o menino Six (Cameron Bright), que pode guardar em seu sangue a cura para a doença de seus semelhantes.

    A criatividade passa longe do roteiro, repleto de frases batidas que pretendem ser de impacto, mas não chegam nem perto disso. A direção de arte, bastante futurista, é caprichada, não há como negar, assim como os efeitos especiais. Mas é tudo tão limpinho que chega a irritar. Apesar das muitas cenas de luta, são poucos os momentos em que o sangue corre solto. O espectador pode até se lembrar da Noiva de Kill Bill ao ver Violet empunhando sua espada, mas a falta de sangue - ou até mesmo de cabelo desarrumado - nos remete ao mundo tão limpinho de Ultravioleta. O filme é tão óbvio que até as cenas de luta são previsíveis: é sempre uma pessoa contra várias - geralmente Violet. E é evidente que a cena sempre termina com os oponentes deitados no chão, mortos. Sem sangue, claro. O filme se leva muito a sério e, evidentemente, tem pretensões tão grandiosas quanto seus cenários, mas faz o espectador rir de tão patético.

    Mas um filme como Ultravioleta não é lançado assim a esmo. O público que pode apreciar a produção é aquele que não dispensa um videogame. Grupo que não foi suficiente para salvar a produção do fracasso financeiro, pelo menos nas bilheterias norte-americanas. No maior mercado cinematográfico mundial, o longa-metragem estreou em março e em um mês rendeu menos de US$ 20 milhões - valor que não cobre nem os custos de produção.

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