UM BEIJO A MAIS

UM BEIJO A MAIS

(The Last Kiss)

2006 , 103 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 06/04/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Tony Goldwyn

    Equipe técnica

    Roteiro: Paul Haggis

    Produção: Gary Lucchesi, Marcus Viscidi, Tom Rosenberg

    Fotografia: Tom Stern

    Trilha Sonora: Schuyler Fisk

    Estúdio: Lakeshore Entertainment

    Elenco

    Blythe Danner, Casey Affleck, Eric Christian Olsen, Inna Korobkina, Jacinda Barrett, Rachel Bilson, Tom Wilkinson, Zach Braff

  • Crítica

    06/04/2007 00h00

    Refilmagens estão em alta no cinema norte-americano não somente no gênro de terror, no qual as releituras norte-americanas de produções orientais torna-se cada vez mais freqüentes, mas também entre os dramas românticos (como o recente A Casa do Lago) e policiais (Os Infiltrados). Um Beijo a Mais também vai na esteira de uma produção que já existia, mas é um filme bastante diferente do original. Refilmagem do drama italiano O Último Beijo, dirigido por Gabriele Muccino (À Procura da Felicidade) em 2001, a versão americana é capaz de caminhar sozinha e se tornar uma leitura única da história italiana.

    A primeira cena de Um Beijo a Mais arrepia: a câmera filma pés de pessoas atravessando a rua, enquanto toca Chocolate, a belíssima música do grupo indie escocês Snow Patrol. Ela sobe e foca o semblante entediado do protagonista, Michael (Zach Braff), que dirige um carro ao lado de sua namorada, Jenna (Jacinda Barrett). Aparentemente, ele tem tudo: um bom emprego, uma bela namorada com quem gostaria de se casar e amigos divertidos. Mas é claro que o fato dele estar chegando nos 30 anos é motivo para que uma fagulha de crise se inicie na mente do rapaz. Afinal, Michael e seus amigos fazem parte de uma geração que quer tudo, exceto lidar de frente com as responsabilidades da vida adulta. No casamento de um de seus melhores amigos, o protagonista conhece a jovem Kim (Rachel Bilson, do seriado The O.C. - Um Estranho no Paraíso). Ela é o motivo que ele precisava para dar aquela última "enlouquecida" antes de entrar de vez na vida adulta. A pergunta é: será que a vida adulta o "aceitará" desta forma?

    O triângulo amoroso que se forma entre Michael, Jenna e Kim é o principal motor desta comédia dramática, mas não o único. Na realidade, as histórias paralelas que acontecem nas vidas dos coadjuvantes chegam a ser tão interessantes quanto. Como o caso de Izzy (Michael Weston), que quer embarcar numa viagem à América do Sul para fugir das lembranças de sua ex-namorada, que o abandonou. Ou de Chris (Casey Affleck), que está em plena crise no casamento ao lado da mulher estressada com o primeiro bebê do casal. Mas o mais especial envolve os pais de Jenna, Anna (Blythe Danner) e Stephen (Tom Wilkinson). Num dado momento depois de tantas décadas casada, Anna começa a ter dúvidas quanto às suas decisões na esfera romântica e põe o casamento em risco. Em meio a tantos personagens imersos em crises, a personagem de Jenna parece ser a única que sabe o que deseja e não tem medo de mostrar o que sente. Ou pelo menos pensa que sabe, já que, frente ao excesso de opções e caminhos a serem escolhidos, crises são comuns. Na busca pela tão almejada felicidade, a vida perfeita, os personagens de Um Beijo a Mais acabam se perdendo.

    O desenvolvimento das tramas paralelas e dos personagens coadjuvantes é essencial para que o filme flua de uma forma agradável. Ao mesmo tempo em que emociona ao mostrar personagens reais e plausíveis, a produção diverte e faz pensar, especialmente os que já passaram por situações como essas ou já conheceram garotos com "crise de Peter Pan", ou seja, com dificuldades para crescer, como é o caso dos personagens deste filme. Graças ao roteiro de Paul Haggis, que já mostrou saber lidar com tramas paralelas nos textos de filmes como Crash - No Limite e A Conquista da Honra. Blythe Danner brilha sempre que aparece em cena como a mãe em crise conjugal, mostrando de forma natural que a maternidade e a maturidade não significam a anulação de uma mulher, muito pelo contrário, sendo a personagem mais honesta da rica palheta de personalidades apresentada pelo filme. A escolha de Braff como protagonista também foi acertada. Mais conhecido por seu trabalho cômico na série Scrubs, ele não é um galã nos moldes tradicionais da palavra, mas tem um carisma único, um semblante naturalmente entediado que cabe perfeitamente ao personagem, como acontece no filme que ele dirigiu e protagonizou, o excelente Hora de Voltar.

    No entanto, quando se entra na esfera das comparações com a produção original, não há como se encher de "poréns". Um Beijo a Mais não tem a paixão de O Último Beijo; tudo parece trabalhado e asséptico demais em comparação ao filme italiano. Basicamente porque são produções baseadas em culturas diferentes. Um dos charmes da produção de 2001 é essa paixão italiana dos personagens, o que não existe nesta refilmagem. Isso não compromete esta nova versão, mas, aos que apreciam a versão italiana, pode ser motivo para uma leve decepção.

    Mesmo assim, Um Beijo a Mais tem tudo para agradar ao público dos 20 e poucos anos que sabe o que é ter uma crise à beira da vida adulta por conta de sua abordagem honesta em relação a esta época tão enigmática. O filme também é capaz de se desvencilhar da produção original, caminhando por suas próprias pernas, o que é uma boa notícia em meio à mesmice hollywoodiana de refilmagens sem criatividade.

    Em tempo: depois de ter recebido um Grammy pelo trabalho na trilha sonora de Hora de Voltar, Zach Braff ficou responsável pela compilação das músicas deste filme. A exemplo de seu longa, o ator escolheu músicas de bandas de rock indie para ilustrar Um Beijo a Mais. A já citada Chocolate funciona como a síntese da crise e da situação na qual o protagonista se encontra. O longa-metragem, portanto, também é capaz de dialogar muito bem com a cultura pop, já que todas as canções pontuam muito bem os momentos da produção.

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