UM CONTO DE NATAL

UM CONTO DE NATAL

(Un Conte de Noël)

2008 , 150 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 25/12/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Arnaud Desplechin

    Equipe técnica

    Roteiro: Emmanuel Bourdieu

    Produção: Pascal Caucheteux

    Fotografia: Éric Gautier

    Trilha Sonora: Grégoire Hetzel

    Estúdio: Why Not Productions

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Anne Consigny, Catherine Deneuve, Chiara Mastroianni, Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric, Melvil Poupaud

  • Crítica

    25/12/2008 00h00

    Em Um Conto de Natal, o diretor Arnaud Desplechin mostra habilidade em expor a história de uma família despedaçada por meio de diversas vozes narrativas, seja intervindo por meio de letreiros à moda dos filmes mudos, com a voz em off dos personagens ou dando espaço para os atores dialogarem diretamente com a câmera e, por conseqüência, com o espectador. O resultado é a observação, sob diversas perspectivas, do mesmo núcleo familiar.

    A família Vuillard é liderada pelo apaziguador Abel (Jean-Paul Roussilon) e pela cínica Junon (Catherine Deneuve). A filha mais velha é a instável Elizabeth (Anne Consigny). O filho do meio é o banido Henri (Mathieu Almaric). O simpático e ex-problemático Ivan (Melvil Poupaud) é o caçula da família. Depois de tempos de separação, os Vuillard descobrem que a matriarca sofre de uma doença degenerativa, razão que une a família para as festas do Natal. Esse encontro justifica o filme e apresenta o caco que se resume a existência de cada um e de quem os orbita.

    O diretor poderia ter apenas sobrevoado esse panorama, mas opta, com sucesso, em se aproximar de cada personagem, dando força narrativa a eles. Cada um dos Vuillard dá o seu pitaco ao contar para o espectador o que significa sua vida. Um Conto de Natal começa com a primogênita e manipuladora Elizabeth apresentando o fato mais importante do passado da família: a morte, aos quatro anos, do garoto Joseph, acontecimento que jogou nas costas de Elizabeth a função de "mais velha". O diretor intervém, apresentando, à sua maneira, quem são os filhos, sobrepondo-se à voz inicial da primogênita para, em seguida, dar autonomia às suas criaturas. Tamanha é a independência dos personagens que a casa, cenário no qual transcorrerá a ação natalina, é apresentado pela matriarca ao espectador, em detrimento de uma observação apenas da câmera sobre o local.

    No filme, em vez de priorizar como cada Vuillard se relaciona com a família como um todo, o mais interessante está nas relações paralelas entre os personagens. A começar pelo duelo entre a filha mais velha e o do meio. Fazendo o tipo picareta, ele mergulhou em dívidas, mas foi salvo por sua irmã, sob a condição de nunca mais ter de vê-lo, exigência aceita pela família. Henri foi para o ostracismo, mas o Natal lhe reserva uma volta triunfante.

    O duelo mais interessante - e cômico - é entre mãe e filho, sustentado pelas interpretações da diva Catherine e do versátil Almaric. A tal doença degenerativa de Junon que une a família tem como única solução o transplante de medula. Ironicamente, há apenas dois doadores compatíveis: o filho de Elizabeth, e Henri, o renegado. Em cima desse fato, um verdadeiro campo de batalha simbólico é instaurado. Os diálogos surreais, tão cínicos que nem parecem indicar que um nasceu do outro, são o ponto alto do filme.

    Não constitui nenhuma novidade a abordagem de dramas familiares, assunto dissecado pelos argentinos (As Leis de Família), brasileiros (Feliz Natal), dinamarqueses (Festa de Família) ou até mesmo pelos franceses (Horas de Verão). O mérito do diretor Arnaud Desplechin é apresentar a história por meio de diversos pontos narrativos, dando independência para que não apenas o espectador dialogue com os personagens, mas também para que o inverso ocorra.

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