Um Conto do Destino

UM CONTO DO DESTINO

(The Winter's Tale)

2014 , 120 MIN.

12 anos

Gênero: Fantasia

Estréia: 21/02/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Akiva Goldsman

    Equipe técnica

    Roteiro: Akiva Goldsman, Mark Helprin

    Produção: Akiva Goldsman, Marc Platt, Michael Tadross

    Fotografia: Caleb Deschanel

    Trilha Sonora: Hans Zimmer, Rupert Gregson-Williams

    Estúdio: Village Roadshow Pictures, Warner Bros. Pictures, Weed Road Pictures

    Montador: Tim Squyres, Wayne Wahrman

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Alan Doyle, Andrea Hartnett, Ari Barkan, Beth Katehis, Brian Hutchison, Caitlin Dulany, Colin Farrell, Daniel Keith, Erica DiMarzo, Eva Marie Saint, Finn Wittrock, Georgie Lalov, Graham Greene, Jennifer Connelly, Jessica Brown Findlay, John Mitchell, Jon Patrick Walker, Joseph Basile, Kelly Southerland, Kevin Corrigan, Kevin Durand, Lucy Griffiths, Matt Bomer, Matthew Broadley, Matthew R. Staley, Mckayla Twiggs, Norm Lewis, Nyle Lynn, Ripley Sobo, Rob Campbell, Ron Maestri, Russell Crowe, Russell West, Stefano Villabona, Tom Stratford, Will Smith, William Hurt

  • Crítica

    18/02/2014 15h56

    O que esperar de um filme no qual Will Smith interpreta Lúcifer e ganha o apelido carinhoso de "Lu" do demônio vivido por Russell Crowe? Pois é. E Um Conto Do Destino não para por aí. Atuações sofríveis, personagens superficiais e frases de efeito completam a trama que tenta ganhar o público por meio do amor romântico e um misto de fantasia tosca com autoajuda transcendental.

    O longa marca a estreia na direção do roteirista vencedor do Oscar Akiva Golsman (Uma Mente Brilhante) com base no best-seller homônimo de Mark Helprin. Na Nova York de 2014, Peter Lake (Colin Farrell) é um artista sem memória a vagar pela cidade. Por meio de seus flashbacks, voltamos a 1895, quando ele, ainda bebê, é deixado em um barco pelos pais imigrantes impedidos de entrar nos Estados Unidos. Abandonado em Manhattan, se torna um ladrão do grupo de Pearly Soames (Russell Crowe).

    Crowe é a representação débil do mal com um sotaque irlandês forçado e entra em cena para perseguir o protagonista do bem, o qual tenta seguir um destino mais "direito". Sim, o ator e o roteirista haviam se reunido no ótimo Uma Mente Brilhante. Pena a parceria atual não ter repetido o mesmo êxito.

    Em uma dessas perseguições protagonizadas pelos personagens no início século XX, Lake é resgatado por um cavalo branco alado. Neste momento fica evidente o tom de fantasia, para o qual a trama apelará em momentos onde não há razão aparente para justificar determinada situação.

    Ao invadir uma casa para seu assalto derradeiro antes da fuga, o protagonista com corte de cabelo bizarro conhece sua amada Beverly Penn (Jessica Brown Findlay), jovem ironicamente corada, mas à beira da morte por conta da tuberculose. A arma carregada para a abordagem pouco a assusta porque, no fundo, ela sente o seu amor advindo da eternidade.

    Esse imediatismo de um laço, longe de suscitar o sentimento de amor à primeira vista, recai numa atitude típica dos dias de hoje: espera-se muito em muito pouco tempo, numa visão parecida com a do consumo no sentido de receber o que se quer imediatamente. Não é possível construir tal sentimento e passá-lo ao espectador de forma tão objetiva e plástica.

    Não bastasse isso, ainda há outras passagens no estilo autoajuda de "tudo se encaixa e vai ficar bem". Por exemplo, a trama gira em torno da ideia de que cada pessoa é um milagre para a próxima. Muito bonito, mas pena se jogar na mão do destino e do universo a generosidade, num tipo de barganha com o desconhecido.

    Além das lacunas subjetivas deixando a trama sem suporte, cenas com enquadramentos mal feitos, iluminação falha e efeitos especiais discutíveis dificultam ainda mais a tentativa de conexão com o filme. Mas alguns cenários da Nova York do início do século passado e figurinos de época se salvam.

    Assim, Lake sente que precisa salvar Beverly e, obviamente, o vilão de Russell Crowe fará de tudo para impedir. O embate de bem versus mal fica evidente em cenas como a dos protagonistas em seus cavalos preto e branco. E na linha de barganha com o desconhecido, o personagem de Crowe procura Lúcifer (Will Smith) para conseguir destruir o protagonista num dos momentos mais bizarros dessa trama.

    O salto para o futuro acontece sem muita explicação, quando o filme parece se aproximar do final. Sem memória devido a uma briga ocorrida 100 anos antes, o personagem agora imortal de Farrell conhece outro núcleo, do qual faz parte a jornalista Virginia Gamely, interpretada por Jennifer Connely na única atuação boa do longa.

    Nesse futuro, ele descobrirá, finalmente, o seu milagre. Mas vale ressaltar que, ao menos, o destino do personagem não permanecerá ligado à ideia de amor romântico, ganhará outro sentido apesar da insistência numa ideia dramática.

    Entre as cenas constrangedoras, podemos destacar três: a trágica noite de amor de Lake e Beverly com final quase hilário; a do encontro dele com a personagem de Eva Marie Saint no futuro; e o final. Ah, o final.

    Um Conto de Destino se sai mal em todos os gêneros que tenta explorar: fantasia, romance, drama. Ao querer reduzir as questões humanas a um simples "você precisa acreditar", soa como a maioria dos best-sellers: vazio de reflexão. Mas, se a ideia era vender frases de efeito como placebo para faturar milhões, se saiu muitíssimo bem.

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