UM DIA MUITO ESPECIAL

UM DIA MUITO ESPECIAL

(Una Giornata Particolare)

1977 , 105 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ettore Scola

    Equipe técnica

    Roteiro: Maurizio Constanzo, Ruggero Maccari

    Produção: Carlo Ponti

    Fotografia: Pasqualino De Santis

    Trilha Sonora: Armando Trovajoli

    Elenco

    Françoise Berd, John Vernon, Marcello Mastroianni, Sophia Loren

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O CineSesc se transforma num templo a partir deste final de semana. Afinal, é dentro da sua sala escura (por sinal, a mais escura da cidade, sem nenhum vazamento de luz, ideal para se ver um bom filme) que será exibida a cópia nova de Um Dia Muito Especial. Mais que um filme, um momento religioso da arte cinematográfica. Exagero? Talvez um pouco, mas é no mínimo coerente exagerar um pouco quando o filme é italiano. O mais exagerado dos povos.

    Com exagero ou não, quem não viu não pode perder e quem já viu deve rever este clássico do cinema.

    Um Dia Muito Especial foi dirigido em 1977 por Ettore Scola, o melhor cineasta italiano vivo, mas é ambientado em 1938, um pouco antes de estourar a Segunda Guerra na Europa. Tudo se passa em Roma. Melhor ainda: tudo se passa num único prédio romano, exatamente no dia em que o poderoso Adolf Hitler visita Benito Mussolini, consolidando a aliança que fortalecerá o nazi-fascismo e, conseqüentemente, os terríveis poderes da direita. Nas ruas, os italianos vibram de contentamento, felizes com a importante visita. Dentro do prédio, porém, duas pessoas estão céticas em relação ao momento político e preferem mergulhar nas suas próprias realidades pessoais. Ela, Antonietta, é uma dona de casa reprimida, que só tem olhos e braços para os afazeres domésticos. Ele, Gabriele, um radialista desempregado. Suas angústias individuais silenciosas contrastam com a balbúrdia das ruas. Seus olhares se cruzam e se percebem carentes. Talvez eles jamais se conhecessem, caso não tivessem ficado sozinhos, isolados do falso mundo político que enchia Roma com fogos de artifício. Enquanto isso, a câmera de Scola passeia pelos corredores e janelas do prédio, com cumplicidade no olhar. Coloca o espectador dentro do mundo do estranho casal. Xereta. Nasce ali uma história de atração e repulsão como poucas, um ioiô de emoções destrambelhadas. Nasce aí um filmaço.

    E não bastasse tudo isso, ela, Antonietta, é Sophia Loren. E ele, Gabriele, é Marcello Mastroianni. Precisa mais?

    31 de maio de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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