UM DIVÃ PARA DOIS

UM DIVÃ PARA DOIS

(Hope Springs)

2012 , 100 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 17/08/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Frankel

    Equipe técnica

    Roteiro: Vanessa Taylor

    Produção: Todd Black

    Fotografia: Florian Ballhaus

    Trilha Sonora: Theodore Shapiro

    Estúdio: Escape Artists, Management 360, Mandate Pictures

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Alexis Tarasevich, Anita Storr, Ben Rappaport, Bill Ladd, Bob Dio, Brett Rice, Daniel Flaherty, Elisabeth Shue, Jamie Christopher White, Jean Smart, JohnFranchi, Kayla Ruhl, Lee Cunningham, Marin Ireland, Mary A. DeBriae, Meryl Streep, Patch Darragh, Paul Jude Letersky, Rose Ciardiello, Steve Carell, Susan Misner, Tommy Lee Jones

  • Crítica

    13/08/2012 20h47

    As comédias românticas têm sido tão exploradas nos últimos anos que raro é ver algo que valha a pena ultimamente. Grassa a medíocridade e falta criatividade num gênero que é obrigado a seguir um modelo pré-estabelecido: tem de ser ter romance, humor e final feliz.

    Parece fácil e, de certa forma, é, mas a repetição de fórmulas cansa o espectador ao longo do tempo. Um Divã para Dois não revoluciona o gênero, mas tem Meryl Streep e Tommy Lee Jones nos papéis principais - e isso faz uma diferença daquelas – e enredo que traz certo desconforto ao espectador, o que nesse caso é bom. Abaixo explico o porquê.

    Ela é Kay e ele é Arnold. Formam um típico casal de meia-idade norte-americano. Casados há 31 anos, com os filhos criados e a vida estável, levam o casamento – ou o que restou dele – no piloto-automático. A cômica cena inicial do filme, na qual Kay tenta se insinua para o Arnold à noite, dá a temperatura da relação. Algo entre o polo norte e a Antártida, no inverno.

    Decidida a quebrar gélida rotina, Kay compra para os dois um fim de semana de terapia de casais intensiva no Maine, sob o comando do especialista Dr. Feld (Steve Carell, de Agente 86). Arnold reluta em ir, acha uma bobagem, um gasto de dinheiro à toa, mas acaba convencido a fazer a viagem por pressão da mulher. Daí em diante está montado o cenário que faz vir à tona os problemas adormecidos do casal, tudo com muito bom humor e uma aula de atuação de Meryl e Tommy.

    Há, no entanto, outros méritos em Um Divã para Dois. Virtudes que vão além do talento e boa parceria entre seus protagonistas. O filme traz certo incômodo ao espectador ao longo da projeção. Estamos assistindo a um casamento fracassado diante de nossos olhos e a tentativa, às vezes patética, de reacender a paixão que parece tão adormecida quanto um vulcão extinto. E rimos disso. E o riso incomoda por vezes, pois as piadas engraçadas se contrapõem à realidade triste.

    Isso se acentua pela idade de ambos. Se fossem jovens, pensaríamos: “Que se dane, eles podem começar de novo”. Mas ali não há essa possibilidade e aceitar o fim do casamento de Kay e Arnold é como concordar que a união estável é uma instituição falida por antecipação. Para piorar esse sentimento, temos na história um casal que, aparentemente, fez tudo certo. Eles não estão brigados, não há traição, têm respeito um pelo outro. Fica claro que o tempo e a vida cotidiana arrefeceram a paixão. Na verdade, a sepultaram. E nossa sociedade não concebe a ideia de casal sem amor romântico e sexo.

    As risadas em Um Divã para Dois vêm acompanhadas de um leve sentimento de culpa por nos divertimos com o sofrimento alheio. E esse incômodo é bem-vindo. Bons filmes são aqueles que mexem com o público, para o bem ou para o mal. E este faz isso, mesmo sendo uma comédia romântica. Este incômodo, claro, é dosado. Ainda trata-se de um filme cujo objetivo é divertir e mostrar que o amor sempre prevalece.

    Existe em Um Divã para Dois uma e outra cena desnecessária ou exagerada, como a que Kay vai a um bar e revela à atendente (Elisabeth Shue), que não conhece, sua frustração sexual. Isso leva a mulher a promover uma enquete insólita com os fregueses - sequencia que, definitivamente, poderia ter ficado fora do filme.

    Deslizes como esse não chegam a prejudicar a produção, que tem boas atuações - incluindo a de Carrel, aqui contido -, um roteiro inteligente e, claro, todos os ingredientes básicos de uma comédia romântica. Você vai rir, vai continuar acreditando no amor, mas vai se sentir desconfortável também com o flerte do longa com a realidade. E, afinal, uma pisadinha no calo às vezes faz bem.


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