UM EVENTO FELIZ

UM EVENTO FELIZ

(Un Heureux Événement)

2011 , 107 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 21/12/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Rémi Bezançon

    Equipe técnica

    Roteiro: Rémi Bezançon, Vanessa Portal

    Produção: Isabelle Grellat

    Fotografia: Antoine Monod

    Trilha Sonora: Sinclair

    Estúdio: Canal+, France 2 Cinéma, France Télévision, Gaumont, Le Tax Shelter du Gouvernement Fédéral de Belgique, Mandarin Films, Radio Télévision Belge Francophone (RTBF), Région Wallone, Scope Pictures, TPS Star

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Aïssatou Diop, Amélie Glenn, Anaïs Croze, Annick Johnson, Bruno Georis, Daphné Bürki, David Foenkinos, Dominique Baeyens, Emma De Craecker, Eric Larcin, Erika Sainte, Fanny Hanciaux, Firmine Richard, Gabrielle Lazure, Gérard Lubin, Josiane Balasko, Juliette Becker, Juliette Wery, Lannick Gautry, Laure Voglaire, Lou-Anne Bertrand, Louis-Do de Lencquesaing, Louise Bourgoin, Manoé Gilson, Marcos Adamantiadis, Mélanie Vaysse, Michel Nabokoff, Moïra Halilbasic, Myriem Akeddiou, Naïma Ostrowski, Nicole Valberg, Ophélie Koering, Pascaline Hontens, Patrick Spadrille, Pio Marmaï, Thierry Frémont, Victoria Becker

  • Crítica

    18/12/2012 16h38

    Não julgue um livro pela capa. E nem um filme pelo pôster. Um Evento Feliz parece mais um longa sobre a benção do nascimento de um filho, mas não é. Baseado no livro homônimo da francesa Éliete Abécassis, mostra como um outro ser pode afetar tudo ao seu redor - a começar pela mãe -, trazendo mudanças positivas e negativas.

    Bárbara (Louise Bourgoin) conhece Nicolas (Pio Marmaï) em uma locadora e logo passa a frequentá-la assiduamente, dando indiretas sobre o interesse no rapaz por meio dos filmes que aluga – um deles é Prenda-me se for Capaz, bem sugestivo. Temos um casal empolgado e inconsequente, vivendo de forma intensa todos os clichês dos apaixonados dentro e fora das telas. Fotografia de cores fortes e vibrantes se sobressai na primeira parte do longa e dissipa-se em tons de cinza com o passar dos acontecimentos.

    Meio de brincadeira, Nicolas diz à protagonista que deseja ter um filho. E o desejo é atendido. Ao contrário daquela graça que as mães de primeira viagem se veem praticamente obrigadas a sentir, Bárbara tem aflição do novo habitante em seu corpo. A jovem sente a criança como um intruso, um alien. Quando descobre a gravidez, está em meio a uma tese de mestrado bem existencialista relacionada ao tema, e o filme se desenvolve entre a vida “real” dela e a filosofia de seu trabalho.

    A atuação de Louise Bourgoin é convincente ao longo do filme. Primeiro, passa um ar vívido e intenso. À medida que sua personagem se vê presa a uma vida não desejada, o entusiasmo começa a desaparecer e Bárbara a se esvaziar, algo evidente na expressão da atriz. Pio Marmaï acompanha bem esse ritmo, tornando a decadência do romance perceptível também em seu semblante.

    O medo invade a jovem após o nascimento da filha. As noites em claro, a criança dormindo com os pais e distanciando o casal, a falta de sexo... Uma fala da personagem sobre como perdeu a sensibilidade do corpo com tanta mecanização em cima dele – obstetras, agulhas, exames – enfatiza o desconforto de uma mulher consigo mesma. Ela se torna outra pessoa após a gravidez. A antiga Bárbara começa a morrer para dar lugar a uma nova e despreparada mãe.

    Outro filme lançado neste ano com enfoque similar sobre maternidade foi Precisamos Falar Sobre Kevin. Só que a história sob direção de Lynne Ramsay tem um desfecho muito mais trágico. Aqui a vida segue. Não por acaso é uma obra francesa, cheia de existencialismo no mais cotidiano dos atos.

    Para Bárbara, a filosofia não ensinou muito sobre a crua realidade. As linhas de Voltaire não poderiam lhe ajudar a trocar fraldas ou manter o desejo de seu namorado mesmo com tantos afazeres domésticos. A criança mudou para sempre a vida do jovem casal. Mas, entre as polaridades de nossa existência, o longa deixa uma sensação dolorosamente positiva. Em todo fim há outro começo. Laços se desfazem, mas a linha continua a existir - nesse caso, em um novo ser.

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