UM HERÓI DO NOSSO TEMPO

UM HERÓI DO NOSSO TEMPO

(Va, Vis et Deviens)

2005 , 140 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Radu Mihaileanu

    Equipe técnica

    Roteiro: Alain-Michel Blanc, Radu Mihaileanu

    Produção: Denis Carot, Itai Tamir, Marek Rozenbaum, Marie Masmonteil, Radu Mihaileanu

    Fotografia: Rémy Chevrin

    Trilha Sonora: Armand Amar

    Elenco

    Moshe Abebe, Moshe Agazai, Rami Danon, Roni Hadar, Roschdy Zem, Sirak M. Sabahat, Yaël Abecassis, Yitzhak Edgar

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    É difícil deixar de bater outra vez na velha tecla, mas quem são as pessoas que decidem trocar o belo título "Vá, Viva e se Transforme" pelo cafona Um Herói do Nosso Tempo? Quem toma este tipo de decisão e por quê? É incompreensível. De qualquer maneira, o drama Um Herói do Nosso Tempo busca inspiração num fato histórico dos mais interessantes e significativos, que ainda não havia sido tratado pelo cinema: o êxodo de oito mil judeus etíopes (chamados "falashas"), em 1984, que fugiam do governo pró-soviético de seu país para tentar algum tipo de salvação em Israel. Eles empreenderam a pé uma peregrinação de aproximadamente 600 quilômetros, da Etiópia ao Sudão, buscando a partir dali chegar à terra prometida que acenava com fartura e dias melhores. Porém, apenas a metade chegou viva a um campo de refugiados no Sudão, onde famintos de toda a África disputavam a sobrevivência.

    É neste campo sudanês que começa a trama. Um garoto de oito anos (Moshe Agazai) é praticamente expulso do campo pela própria mãe, que lhe diz duramente o tal titulo original do filme: "Vá, Viva e se Transforme". Por causa da crueza da ordem, o menino não percebe muito bem que, na verdade, a mãe está tentando salvá-lo, pois sair do campo e rumar até Israel junto com outros refugiados seria sua única chance de sobrevivência. Chocado e perturbado, o menino é levado a Israel, onde é acolhido por uma espécie de central de imigração. Salvação? Não exatamente. Lá, o garoto percebe que os preconceitos apenas mudam de lugar e ele é obrigado a dizer que é judeu se não quiser ser deportado de volta. Ganha assim um novo nome - Schlomo -, uma nova identidade religiosa e até uma nova família, mas se recusa a deixar de lado suas raízes africanas e a eterna lembrança de sua mãe. De uma hora para outra, Schlomo se vê cristão fingindo ser judeu, negro, saudoso da mãe africana, morando em Israel, e adotado por uma família agnóstica que fala francês e tem como pai um nacionalista exacerbado.

    Trata-se de uma história forte, que aborda com consistência o eterno tema do homem, enquanto indivíduo, subjugado e oprimido pelas falsas fronteiras geográficas e culturais. Entra guerra, sai guerra, entram governantes, saem governantes, os preconceitos raciais e religiosos só mudam de endereço. O roteiro é denso e sabe como evitar maniqueísmos, mas é bastante estranho o fato da direção ser do romeno Radu Mihaileanu, o mesmo que esbanjou talento, cinismo e sutileza no irretocável O Trem da Vida. Isto porque Um Herói do Nosso Tempo está longe de ser um filme ruim, mas também longe, muito longe, de ter uma direção de talento ou sutilezas. Pelo contrário, o filme é dirigido de forma muitas vezes burocrática, tangenciando o sentimentalismo forçado em várias oportunidades. Ganhou três prêmios em Berlim e venceu o César (principal prêmio do cinema francês) de Melhor Roteiro Original, mas em nenhum momento nos faz lembrar que seu diretor já foi o autor de uma verdadeira obra prima.

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