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UM LIMITE ENTRE NÓS

(Fences, 2016)

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01/03/2017 15h44
por Daniel Reininger

A Peça ganhadora do Pulitzer de August Wilson é uma poderosa obra sobre um homem negro enfrentando as dificuldades de viver nos EUA dos anos 50. Paralelamente, ele precisa lidar com as consequências de decisões relacionadas à sua família, enquanto tenta mostrar seu valor a todos ao seu redor, sem nunca deixar o orgulho de lado.

Denzel Washington volta ao papel principal que já viveu também na peça da Broadway, em um filme repleto de poderosos diálogos e monólogos, mas que parece demais uma peça filmada. Ao invés de aproveitar as ferramentas que o cinema disponibiliza para proporcionar uma visão maior da história, a produção acaba presa ao formato teatral e sua estrutura se mostra desinteressante. É uma boa forma de levar o texto a mais pessoas do que no teatro, mas é impossível não sentir que o material poderia render ainda mais.

Essa falta de variedade de cenários e situações e a necessidade de manter o formato original da peça faz o filme ser frustrante, especialmente quando Denzel Washington começa um novo monólogo no mesmo quintal onde já fez outros monólogos, sempre com a câmera fixa. O texto é incrível, mas nem sempre é suficiente para nos manter interessados.

Entretanto, as atuações compensam, e muito, essa falha. Washington é intimidador como Troy, um homem duro e egoísta que fez algumas escolhas erradas na vida e não valoriza sua família como deveria, além de se levar a sério demais. O ator está excepcional e faz de tudo para seus longos monólogos parecerem credíveis.

Mas é Viola Davis que realmente rouba a cena como esposa de Troy, Rose. Ela é a personagem mais balanceada da obra, capaz de se impor diante do protagonista, sem perder a doçura, mas capaz de lutar pela sua própria liberdade diante do marido opressor, mesmo nos momentos de maior desespero ou tristeza. Viola está incrível no papel e mereceu o Oscar de melhor atriz coadjuvante.

Apesar das grandes atuações, existem momentos no filme que não funcionam tão bem quanto no teatro e a necessidade de se manter fiel à peça faz do filme uma produção limitada e formal demais. Um Limite Entre Nós é uma ótima maneira de conhecer um texto magnífico com ótimos atores, mas é um filme que nunca atinge seu verdadeiro potencial na telona.

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Daniel Reininger

Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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