UM LOUCO APAIXONADO

UM LOUCO APAIXONADO

(How to Lose Friends & Alienate People)

2008 , 110 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia Romântica

Estréia: 27/03/2009

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Robert Weide

    Equipe técnica

    Roteiro: Peter Straughan

    Produção: Elizabeth Karlsen, Stephen Woolley

    Fotografia: Oliver Stapleton

    Trilha Sonora: David Arnold

    Elenco

    Danny Huston, Gillian Anderson, Jeff Bridges, Kirsten Dunst, Megan Fox, Simon Pegg

  • Crítica

    27/03/2009 00h00

    Brincando com o título de um best seller da literatura de auto-ajuda, no livro Como Fazer Inimigos e Alienar Pessoas o jornalista inglês Toby Young descreve suas experiências na glamurosa revista Vanity Fair, onde trabalhou por alguns anos. Parte das bizarras e hilárias experiências pelas quais o jornalista passou são retratadas em Um Louco Apaixonado (é, o título do filme não conseguiu ser tão genial quanto do livro, pelo menos na versão brasileira), comédia que conta com o humor inglês e a produção executiva do próprio Young.

    Trata-se do primeiro longa-metragem dirigido por Robert B. Weide, que assina a direção de alguns episódios da genial série de TV Curb Your Enthusiasm, criada e protagonizada por Larry David (um dos criadores de Seinfeld). Aqui, ele junta o humor afiado da série de David às piadas tipicamente inglesas de Young para criar uma comédia capaz de fazer o que se propõe: tirar um sarro do culto às celebridades nos EUA - que, vamos combinar, não ocorre somente lá.

    Sidney Young (Simon Pegg) é um jornalista inglês que sempre olhou as celebridades do cinema de uma forma um tanto quanto deslumbrada, também por sua mãe, que morreu quando ele tinha quatro anos, ter sido atriz de cinema. Fundador da revista Post Modern Review, que tradicionalmente (e com muitas dificuldades financeiras) tira um sarro com celebridades, ele é convidado para trabalhar na revista Sharps - no livro, é a Vanity Fair, mas deve seu nome mudado no filme por conta dos devidos direitos autorais -, sob a supervisão do diretor de redação Clayton Harding (Jeff Bridges), um cara que, no passado, assim como Young, também via Hollywood sob olhares cínicos.

    Mas Young não é charmoso, alto ou rico, pelo contrário. Mas, mesmo assim, munido de muita cara de pau e uma auto-ironia rara de ser vista num lugar como Manhattan, onde fica a redação da Sharps, ele tenta obter algum sucesso - profissional, financeiro e sexual - no mundo das celebridades. Embora detestável, o jornalista inglês acaba recebendo a ajuda de Alison Olsen (Kirsten Dunst), uma colega de redação, para conseguir se adequar ao emprego, embora ele mesmo não esteja tão preocupado com isso.

    A escolha de Simon Pegg é crucial para que Um Louco Apaixonado funcione. Além de ser fisicamente parecido com o Young original, ele é talentoso e tem o tom necessário para que o longa funcione da forma como deve. Tanto que Pegg já estava desde 2004 escalando para interpretar Young, mas, na época - quando o livro seria adaptado ao teatro -, o ator estava envolvido demais com o genial Todo Mundo Quase Morto. Ainda bem que ele voltou ao personagem nesta adaptação cinematográfica, já que Pegg encarna de forma perfeita aquele cara que, embora seja desprezível, atrapalhado, politicamente incorreto e talvez um pouco burro, ainda é capaz de atrair a simpatia do espectador. Para quem leu o livro, são muitas as situações que estão nesta versão cinematográfica, mas maiores são as modificações no roteiro de Peter Straughan, fazendo com que as obras possam caminhar de forma independente.

    Um Louco Apaixonado pode ser sobre um louco, mas ele não está necessariamente apaixonado por uma mocinha, mas sim pelo mundo das celebridades, mesmo vendo com certo cinismo esse universo todo. Portanto, não espere uma comédia romântica, como o título pode sugerir. A acidez do humor deste filme brinca o tempo inteiro com o culto em torno dos astros, de suas vidas pretensiosamente especiais e supervalorizadas.

    Esse tom de ironia já pode ser visto no próprio título do livro que dá origem ao longa, uma brincadeira com um clássico da auto-ajuda. Repleto de referências a Hollywood e nos filmes já feitos, como O Grande Lebowski, A Felicidade Não Se Compra, Star Wars, Babe - O Porquinho Atrapalhado, O Silêncio dos Inocentes, Nascido Para Matar, A Doce Vida, entre tantos outros. Por isso, Um Louco Apaixonado tem elementos que podem agradar de forma bem-sucedida não somente os fãs de comédias, mas principalmente os espectadores que acompanham o cinema a ponto de sacar as referências e compreender as piadas intrínsecas nessas citações. Esse tipo de humor, no entanto, não parece agradar aos espectadores norte-americanos: enquanto que nos cinemas dos EUA a comédia faturou menos e US$ 3 milhões, nas bilheterias internacionais o filme já rendeu US$ 14,5 milhões; o total de arrecadação nos cinemas, US$ 17,2 milhões, não foi o suficiente para cobrir seus custos, estimados em US$ 28 milhões.

    E, se você duvida que Toby Young seja tão pentelho quanto parece pelo filme e pelo livro, o escritor foi simplesmente banido dos sets de Um Louco Apaixonado de tanto que infernizou o elenco com seus palpites, também atrapalhando e interrompendo o trabalho de Weide enquanto ele tentava dirigir as cenas. Kirsten Dunst foi uma das pessoas que pediram encarecidamente aos produtores pelo afastamento de Young durante as filmagens.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus