UM MÉTODO PERIGOSO

UM MÉTODO PERIGOSO

(A Dangerous Method)

2011 , 99 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 30/03/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Cronenberg

    Equipe técnica

    Roteiro: Christopher Hampton

    Produção: Marco Mehlitz, Martin Katz

    Fotografia: Peter Suschitzky

    Trilha Sonora: Howard Shore

    Estúdio: Lago Film, Prospero Pictures, Recorded Picture Company (RPC)

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Aaron Keller, André Dietz, André Hennicke, Andrea Magro, Anna Thalbach, Arndt Schwering-Sohnrey, Bjorn Geske, Christian Serritiello, Clemens Giebel, Cynthia Cosima, Dirk S. Greis, Franziska Arndt, Jost Grix, Julia Mack, Julie Chevallier, Katharina Palm, Keira Knightley, Mareike Carrière, Markus Haase, Michael Fassbender, Mignon Remé, Mirko Naeger-Guckeisen, Nadine Salomon, Naike Jaszczyk, Nina Azizi, Sarah Adams, Sarah Gadon, Sarah Marecek, Severin von Hoensbroech, Theo Meller, Torsten Knippertz, Viggo Mortensen, Vincent Cassel, Wladimir Matuchin

  • Crítica

    28/03/2012 20h00

    Fãs de David Cronenberg podem até achar o longa Um Método Perigoso conservador demais se comparado com as obras anteriores do cineasta, como Crash – Estranhos Prazeres ou Gêmeos – Mórbida Semelhança, por exemplo. Desta vez o diretor leva às telas um filme de época sobre as origens da psicanálise e as confusões sexuais e inseguranças de seus mentores, Sigmund Freud e Carl Jung.

    A trama é inspirada no livro A Most Dangerous Method, de John Kerr, e adaptada para o cinema pelo premiado escritor Christopher Hampton, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro por Ligações Perigosas. Antes, Hampton já havia levado a história para os palcos na peça The Talking Cure. Inteligente e recheado de diálogos pesados e intensos, o roteiro mapeia aos poucos as relações tensas que o famoso psiquiatra Carl Jung (Michael Fassbender) teve com sua paciente Sabina Spielrein (Keira Knightley) e o pai da psicanálise, Sigmund Freud (Vigo Mortensen).

    O nome do filme refere-se a um artigo de Freud intitulado Observações Sobre o Amor Transferencial, escrito em 1914 e publicado em 1915. No texto o psicanalista versa sobre a questão do envolvimento amoroso entre analistas e analisados, provocando deliberadamente Jung, que manteve relações com Sabina durante o atendimento da mesma de 1904 a 1911. Este seria o “método perigoso” de trabalho, Freud explica.

    O grande acerto de Um Método Perigoso é humanizar os dois ícones da psicanálise e levar o espectador a refletir como mesmo o mais genial e ousado cientista tem, ele próprio, as suas imperfeições e inseguranças. O filme abarca um período de mais de sete anos, começando em 1904 quando Sabina Spielrein chega à Clínica Burgholzli. Ela começa a ser tratada pelo dr. Jung com a psicanálise freudiana com resultados bem-sucedidos. Dois anos depois, o discípulo Jung começa a se comunicar com Freud no que se torna uma relação fundamental para ambos, mas turbulenta.

    O filme concentra a atenção do espectador na complexidade dos personagens, explorando a psique humana e suas peculiaridades. Neste aspecto, um típico filme de Cronenberg. É por meio desses personagens densos e seus diálogos reveladores que conhecemos a história dos atritos entre Freud e Jung. Quando o aprendiz resolve direcionar seus estudos para áreas de misticismo, como telepatia e clarividência - coisa que Freud era radicalmente contra -, os dois entram em rota de colisão. Jung ainda irrita o egocêntrico Freud ao questionar sua obsessão em relacionar todos os problemas do ser humano a motivos sexuais. O embate entre os dois é mostrado de modo fria e incisivamente austera pelo cineasta, refletindo a supressão intencional dos sentimentos dos personagens.

    Apesar do constante debate de ideias que se vê na tela, os momentos mais agradáveis do filme ocorrem nos detalhes, como Freud corrigindo Jung sobre o nome de sua teoria ou a expressão no rosto de Freud quando eles viajam para a América juntos e Jung informa que está viajando de primeira classe, porque sua esposa rica havia reservado a passagem.

    A atuação de Keira Knightley como Sabina é elogiável, principalmente na primeira parte do longa, no qual consegue transparecer fisicamente seus transtornos mentais, medos e prazeres de forma a deixar o espectador aflito e capaz de compartilhar de seu drama. Mas é inegável que o ator de destaque é Michael Fassbender, impecável no papel de um Jung imerso e perdido em seus conflitos internos.

    Um Método Perigoso sofre de certa escassez distinta de elementos destinados a apoiar e captar o interesse dos espectadores casuais, o que deve fazer com que parte da audiência o ache morno demais. No entanto, é um drama envolvente e instigante, com boas atuações e, embora não se aprofunde emocionalmente como parte do público talvez espere, prende o espectador mesmo sendo um filme bem estático e sem grandes reviravoltas.

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