UM SONHO POSSÍVEL

UM SONHO POSSÍVEL

(The Blind Side)

2009 , 128 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 19/03/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • John Lee Hancock

    Equipe técnica

    Roteiro: John Lee Hancock

    Produção: Andrew A. Kosove, Broderick Johnson, Gil Netter

    Fotografia: Alar Kivilo

    Trilha Sonora: Carter Burwell

    Estúdio: Alcon Entertainment, Warner Bros, Zucker/Netter Productions

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Adriane Lenox, Afemo Omilami, Andy Stahl, April Rich, Ashley LeConte Campbell, Ben Keen, Brandon Rivers, Brett Rice, Brian Hollan, Brian Sutherin, Catherine Combs, Catherine Dyer, David Dwyer, Destiny Long, Eaddy Mays, Ed Orgeron, Elizabeth Omilami, Eric Benson, Franklin "Pepper" Rodgers, Hampton Fluker, Houston Nutt, IronE Singleton, Jae Head, James Donadio, Jaye Tyroff, Jody Thompson, Joe Chrest, John Henry Hancock, John Newberg, Kathy Bates, Kelly Johns, Kevin Nichols, Kim Dickens, L. Warren Young, Lamont Koonce, Libby Whittemore, Lily Collins, Lou Holtz, Maria Howell, Matthew Atkinson, Melody Weintraub, Michael Fisher, Nick Saban, Omar J. Dorsey, Omid Soltani, Patrick G. Keenan, Paul Amadi, Phillip Fulmer, Preston Brant, Quinton Aaron, Rachel St. Gelais, Ray McKinnon, Rhoda Griffis, Robert Pralgo, Sandra Bullock, Sharon Morris, Stacey Turner, Tim McGraw, Tom Lemming, Tom Nowicki, Tommy Tuberville, Trey Best, Whitney Branan

  • Crítica

    17/03/2010 19h08

    Um Sonho Possível foi um dos indicados a Melhor Filme no Oscar deste ano. Sandra Bullock, a protagonista, arrebatou a primeira estatueta de sua vida. Ambas as indicações são compreensíveis, já que o filme trabalha símbolos dos Estados Unidos de hoje e a jornada do “yes, you can”. Porém, é um filme completamente dispensável e que apela para o mais tosco do gênero feel good.

    John Lee Hancock adaptou o livro de Michael Lewis e fez um filme que se estrutura no encontro e no estranhamento entre “eu” e o “outro”. Assim, o mundo da ricaça (e branca) Leigh Anne (Bullock) entra em contato com o do desamparado, miserável (e negro) Michael Oher (Quinton Aaron). Ela dá abrigo ao jovem e pronto, estão abertas as portas da esperança.

    Há uma atmosfera bem criada no filme: o retrato do sul dos Estados Unidos. Lee Hancock fez uma decente contextualização da política atual, na qual os neo-republicanos se colocam como vítimas do preconceito dos Obamistas e dizem sofrer de “racismo às avessas”. Posição reforçada diariamente pela Fox News.

    Este é o solo onde Um Sonho Possível pisa. Aí está o problema: a base está bem justificada, mas o que se desenvolve em cima disso é um filme com tiradas simples, muletas cômicas e uma abordagem covarde do momento norte-americano.

    A primeira pista do tom dos 128 minutos de filme já está no começo. Se você não sabe como desenvolver uma questão ou morre de medo que o seu espectador não entenda alguma coisa, o que fazer? Narração! E assim começa a produção, com Sandra Bullock explicando o que é tal do lado cego (título original) de um quarterback no futebol americano. Primeiro indício de insegurança (ou preguiça) da direção em diluir a informação ao longo do filme. Estratégia cada vez mais adotada pelo cinema comercial norte-americano, que encara o público como burro – o que é um completo equívoco.

    O segundo indício do sentimentalismo barato e a empatia tosca é o uso exagerado da relação entre o caçula da família, S.J. (Jae Head), com o ex-carente Michael. Digam se não é fácil conseguir a simpatia do público com uma criança magrinha e serelepe ao lado de um grandão meio desajeitado? Mais um filme a explorar o carisma entre os opostos.

    O terceiro indício é o medo que o filme tem de se filiar tanto ao drama de fato ou à comédia. Lee Hancock pula de um a outro, tentando dar ritmo, mas faz com que o segundo anule o primeiro. Todas as vezes que se aproxima de algo sério, foge e pede auxílio de tiradas cômicas. Reflexo de que ele precisa deixar o espectador confortável e de coração aquecido. Afinal, é um filme feel good e a dor é um elemento proibido.

    Um Sonho Possível vai ter público no Brasil? Bem provável, já que foi sucesso nos Estados Unidos (US$ 245 milhões) e é protagonizado pela atriz mais rentável de 2009. Sem contar que o filme usa códigos diretos, a combinação entre uma personagem caridosa com um lutador em sua jornada de superação. Combustíveis perfeitos para rios de lágrimas.

    Porém, o filme não passa de um reducionismo da sociedade contemporânea, que resume a solução para o mundo em “basta apenas fazer a sua parte e tudo estará resolvido”. Bem confortável sair do cinema de consciência limpa e com o espírito “só preciso fazer o bem”. Como diria Tom Zé, “Faça suas orações uma vez por dia/ e depois mande a consciência junto com os lençóis/ pra lavanderia”.

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