UM TÁXI PARA A ESCURIDÃO

UM TÁXI PARA A ESCURIDÃO

(Taxi to the Dark Side)

2007 , 106 MIN.

14 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 23/01/2009

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Alex Gibney

    Equipe técnica

    Roteiro: Alex Gibney

    Produção: Alex Gibney, Eva Orner, Susannah Shipman

    Fotografia: Maryse Alberti

    Trilha Sonora: Ivor Guest

    Elenco

    Alex Gibney, Brian Keith Allen, Dick Cheney, George W. Bush, Jack Cloonan, Moazzam Begg, Willie Brand

  • Crítica

    23/01/2009 00h00

    "Vamos ter de trabalhar na escuridão, atravessar um tempo de sombras. Muito do que precisa ser feito aqui terá de ser executado em silêncio, sem nenhuma discussão quanto aos métodos disponíveis para nossas agências de inteligências". Quem pronunciou essa dúbia frase: Hitler? Mussolini? Slobodan Milosevic? Não. O arquiteto desse pensamento, que dá margem para qualquer tipo de ação, foi ninguém menos que Dick Cheney, o democraticamente eleito vice-presidente dos EUA na administração Bush (2001-2008).

    Descortinar o flexível significado de "trabalhar na escuridão" é o objetivo de Um Táxi Para a Escuridão, documentário vencedor do Oscar no ano passado. O diretor Alex Gibsey parte do caso de Dilawar, um taxista afegão preso injustamente e morto sob tortura cinco dias depois de chegar à prisão de Bagram. Em vez de apenas sobrevoar os casos dos 85 mil presos em operações americanas desde 2001, o documentarista se aproxima de um incidente que concentra todos os abusos das operações americanas nas prisões de Bagram (Afeganistão), Guantánamo (Cuba) e Abu Ghraib (Iraque) e traz o espectador para perto do filme.

    "Trabalhar na escuridão", em um português direto que traduza a atuação dos EUA pós 11 de setembro, significa chutar para bem longe a Convenção de Genebra, uma série de tratados assinados há 60 anos que define crimes de guerra. Na aplicação norte-americana, vale tudo para conseguir uma informação para combater a "guerra contra o terror", desde amontoar iraquianos nus e fotografá-los (Abu Ghraib) a impedir prisioneiros de dormir ou aprisioná-los com luvas e capuzes que abalem seus sentidos de realidade e a estabilidade psicológica (Guantánamo).

    O diretor é hábil em mostrar a evolução das táticas de tortura, a fabricação da verdade e o desrespeito com qualquer senso de justiça. Porém, Gibsey não discuida, em momento algum, da forma do filme, conduzindo-o para bem longe um didatismo preguiçoso ou desinteressante. Em seus 106 minutos, Um Táxi Para a Escuridão é vivo.

    Parte dessa vida se deve às boas entrevistas com soldados envolvidos com a prisão e tortura de Dilawar, o taxista. Assim como outro renomado documentarista, Errol Morris, já havia feito em Procedimento Operacional Padrão, o filme questiona a afirmação do alto escalão da administração Bush de que os espancamentos ou a surtos induzidos foram atos isolados de algumas "maçãs podres do Exército". Assim como Morris, Gibsey traz argumentos e aponta a responsabilidade para o vice-presidente, o então presidente George W. Bush e seu então secretário de Defesa, Donald Rumsfeld.

    A outra parte da pulsação do documentário está nas interessantes imagens de arquivo ou nas filmagens realizadas na prisão de Bagram, onde o taxista Dilawar foi preso e assassinado. Bush, Cheney ou Rumsfeld são uma fonte inesgotável de frases absurdas, apresentadas com sensibilidade pelo diretor. Um exemplo é a declaração do ex-presidente: "a Suprema Corte determinou que nós temos de agir de acordo com os preceitos da Convenção de Genebra. Segundo o artigo III, não são permitidos ataques à dignidade humana. Ora, isso é muito vago! O que isso significa?".

    Um Táxi Para a Escuridão questiona o espectador sobre o que seria essa tal "escuridão" a que se referiu o vice-presidente dos Estados Unidos. Onde está o limite? Como se aproveitar de um discurso dúbio para manipular a opinião pública em direção à "justiça americana"? Questionamentos concentrados na declaração de um dos entrevistados. "Tortura é um sinônimo de ditadura e uma negação à democracia. A abolição da tortura é a espinha dorsal para a sustentação da democracia", disse Alfred McCoy, autor de A Question Of Torture.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus