UM VERÃO ESCALDANTE

UM VERÃO ESCALDANTE

(Un été Brûlant)

2011 , 95 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 01/06/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Philippe Garrel

    Equipe técnica

    Roteiro: Caroline Deruas-Garrel, Marc Cholodenko, Philippe Garrel

    Produção: Edouard Weil

    Fotografia: Willy Kurant

    Trilha Sonora: John Cale

    Estúdio: Rectangle Productions

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Céline Sallette, Jérôme Robart, Louis Garrel, Maurice Garrel, Monica Bellucci, Vincent Macaigne, Vladislav Galard

  • Crítica

    29/05/2012 15h00

    Monica Bellucci nua, deitada na cama, convida. Não se sabe a quem o convite se dirige. É com essa imagem de sonho que o diretor francês Philippe Garrel tenta nos seduzir logo nas primeiras cenas de Um Verão Escaldante. Sedução que funciona, mas apenas no início.

    No longa Bellucci é Angèle, atriz de cinema casada com Frédéric (Louis Garrel), pintor francês que vive em Roma. A convite dele, Paul (Jérôme Robart), seu melhor amigo e narrador da história, e a namorada, Élisabeth (Céline Sallette), vão morar em sua casa. A proximidade dos casais não tem interferência no enfreaquecimento que ambos relacionamentos irão sofrer, mas todos serão afetados por esse desgaste.

    No processo uma tediosa narrativa constrói o distanciamento dos personagens, que é refletido no afastamento da câmera. Cria-se aqui uma grande barreira entre filme e espectador, para quem resta a observação à distância. É dessa mesma forma que o diretor nos mantém em relação a seu filme, criando um vácuo entre sentimentos e público, impedindo qualquer empatia com os dramas retratados. Um efeito proposital, pensado, mas que aliado a uma trama de conflitos escassos recai na monotonia, tornando-se irregular.

    Um Verão Escaldante é divido em três atos, que o diretor entrelaça muito bem, evitando a narrativa em bloco. Uma dança discretamente sensual de Monica Bellucci, em plano sequência, fecha o primeiro ato e ilustra o modo como os personagens às vezes se veem: com intensidade, mas a certa distância. Em sua segunda parte o filme decresce. Entra numa dinâmica lenta e espiralada que traz arremates de ciúme, desconforto, rompimento e adultério. Volta a crescer no terceiro ato, mais uma vez pontuado com música, que entra na dinâmica da vida e da morte permeada pelo amor. Não sem certa pieguice. O distanciamento persiste e, no último plano, é um gesto de afastamento que encerra a narrativa.

    O filme de Philippe Garret propõe um exercício de observar sem sentir. E, de fato, o sentimento nunca chega até nós. Sem experimentá-lo, também nos afastamos e acabamos por ter uma experiência vazia. O mesmo vácuo emocional que os personagens tanto temem, mas nem sempre evitam.


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