UM VERÃO PARA TODA VIDA

UM VERÃO PARA TODA VIDA

(December Boys)

2007 , 105 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 02/11/2007

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Rod Hardy

    Equipe técnica

    Roteiro: Marc Rosenberg

    Produção: Richard Becker

    Fotografia: David Connell

    Trilha Sonora: Carlo Giacco

    Elenco

    Christian Byers, Daniel Radcliffe, Jack Thompson, James Fraser, Lee Cormie, Teresa Palmer, Victoria Hill

  • Crítica

    02/11/2007 00h00

    Lembre-se de estar ouvindo as memórias de vida de alguém. Lembre-se de que as recordações podem, muitas vezes, não serem verdadeiras, mas sim repletas de fantasia e desejos não realizados. Um Verão Para Toda Vida, de Rod Hardy (Thrist), é construído a partir da narração das memórias de Misty, um dos quatro órfãos - Garotos de Dezembro - na qual a história é centrada. Ao assistir ao filme parecemos estar dentro do diário de Misty e vivenciar, de certa maneira, não o que ocorreu na realidade, mas seu universo particular.

    Rod Hardy é veterano em adaptações cinematográficas de obras de famosos escritores. O cineasta já dirigiu 20.000 Léguas Submarinas, baseado no romance de Júlio Verne, e Robinson Crusoé, do famoso escritor Daniel Dafoe. Agora é a vez de Um Verão Para Toda Vida, baseado no clássico romance homônimo de Michael Noonan e roteirizado por Marc Rosenberg.

    O longa aborda a história de quatro garotos órfãos que crescem em um convento católico, no deserto da Austrália, na década de 60. A cada dia que um casal surge para realizar a adoção a esperança de cada garoto renasce, mas a alegria é apenas para alguns. Outros se vêem desamparados, na medida em que ficam mais velhos e mais longe da possibilidade de serem adotados. Como presente aos quatro aniversariantes do mês de dezembro - Maps (Daniel Radcliffe), Spark (Christian Byers), Spit (James Fraser) e Misty (Lee Cormie) -, o convento os envia à região litorânea.

    Durante a viagem, os amigos conhecem um casal que não pode ter filhos, Fearless (Sullivan Stapleton) e Teresa (Victoria Hill), que seriam pais perfeitos. Assim, os garotos irão competir para se tornarem o melhor candidato à adoção, testando a amizade, o amor e o sentimento de união existente entre eles. A trama também mostra o relacionamento entre Maps e Lucy (Teresa Palmer), uma das garotas da comunidade da região. A interpretação fria e pouco envolvente de Teresa, que trabalhou em produções como 2:37, Fate e O Grito 2, deixa a desejar e faz suas cenas serem um dos pontos fracos do filme.

    A interpretação tão esperada de Daniel Radcliffe fora da franquia Harry Potter também não convence. A história de Maps corre paralelamente a do protagonista, sendo importante para o desencadeamento dos fatos e o sentido de união que existe entre os quatro garotos. Mas sua atuação revela pouca força - parece ter faltado identidade e atitude a Radcliffe.

    A personalidade dos demais garotos, Spit e Spark, é bem construída, apesar de não ser explorada profundamente. Revela ao mesmo tempo as particularidades de cada um, as dúvidas, angústias e fantasias que afligem a maioria das crianças. O protagonista Misty é o melhor caracterizado e bem interpretado pelo convincente Lee Cormie (No Cair da Noite). O personagem é o mais fantasioso dos amigos e tem visões nas quais Nossa Senhora e freiras do convento revelam ser ele o garoto adotado.

    O universo mágico de Misty nos remete ao realismo fantástico de Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, de Tim Burton. Mas, em vez de gigantes, feiticeiras e cantoras gêmeas siamesas, Um Verão Para Toda Vida apresenta Sócrates, um cavalo que pesca peixes para dar aos gatos, e Henry, um enorme peixe que é sua grande companhia. Essa noção de que em nossas recordações tudo é um pouco mágico e distorcido por nossos sentimentos é também construído pelo impressionante visual e ótima direção de arte e de fotografia do longa.

    Quando as lembranças de Misty são mais tristes e obscuras, o produtor Richard Becker opta pela utilização de cores pálidas, como quando os garotos estão no convento. A explosão de cores surge na enseada, denotando a alegria e liberdade sentida pelos garotos. Essa é uma das maneiras do filme sinalizar que nossas memórias nem sempre condizem com a realidade, que a emoção e o sentimento podem modificá-la. A casa que morávamos quando criança é sempre muito menor e mais escura do que imaginávamos.

    O longa, marcado pela esperada atuação de Daniel Radcliffe, sustenta-se pelas próprias qualidades, por ser despretensioso. Muitas pessoas podem utilizar o argumento simplista de que ele é previsível e pouco ousado, principalmente em seu final. Reitero aqui que o filme é um diário, que os fatos ali representados e o desencadeamento deles podem não ser os verdadeiros e aí também reside uma de suas grandes qualidades. Em certo momento, Maps diz: "Gosto das coisas como elas são". E Um Verão para Toda Vida privilegia as coisas como elas são, mas do ponto de vista de Misty.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus