UMA GAROTA DIVIDIDA EM DOIS

UMA GAROTA DIVIDIDA EM DOIS

(Le Fille coupée en deux)

2007 , 115 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 18/07/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Claude Chabrol

    Equipe técnica

    Roteiro: Cécile Maistre, Claude Chabrol

    Produção: Patrick Godeau

    Fotografia: Matthieu Chabrol

    Trilha Sonora: Matthieu Chabrol

    Estúdio: Alicéléo

    Elenco

    Benoit Magimel, Caroline Silhol, François Berléand, Ludivine Sagnier, Marie Bunel, Mathilda May, Thomas Chabrol, Valeria Cavalli

  • Crítica

    18/07/2008 00h00

    Aos 78 anos, o mestre veterano Claude Chabrol continua em pleno vigor criativo. Com mais de 60 filmes em seu currículo (o mais recente a ser exibido no Brasil foi A Comédia do Poder), Chabrol agora se debruça sobre o sofrimento do amor jovem em Uma Garota Dividida em Dois.

    A tal garota do título é a bela Gabrielle (Ludivine Sagnier, de As Aventuras de Molière), a atraente "moça do tempo" de um canal de televisão local. Quase que simultaneamente, ela arrebata dois corações. O primeiro é do famoso escritor sessentão Charles Saint-Denis (François Berléand, de A Comédia do Poder), um homem estável, rico, bem casado e resolvido na vida. E o outro é do jovem herdeiro Gaudens (Benoît Magimel, de Rios Vermelhos), também milionário, porém mimado e voluntarioso, que parece ter saído diretamente de algum filme francês dos anos 60.

    Sem nenhum tipo de explicação razoável - o que nem de longe é a intenção do diretor -, Gabrielle rechaça Gaudens e se apaixona perdidamente por Charles, realizando suas fantasias eróticas (sempre sugeridas, jamais mostradas na tela) e submetendo-se a todos os seus caprichos. Gaudens, acostumado a ter tudo na vida, fica arrasado e não medirá esforços para ter a menina.

    Chabrol nos joga neste turbilhão de paixões sem aviso prévio. Os fatos, cada vez mais angustiantes e caminhando para a tragédia, vão se desenrolando na tela com uma naturalidade espantosa, como que pegando de surpresa não apenas o público como também os próprios personagens.

    O diretor esmiúça um mundo dividido, onde os mais baixos sentimentos humanos, como cobiça, traição, individualidade e total desprezo ao próximo, são emoldurados com o que há de mais elegante no mundo do consumo, de uma simples garrafinha de água Perrier até luxuosas mansões e carros esportivos. O que poderia ser um clichê nas mãos de um cineasta qualquer, mas nunca no estilo igualmente elegante do velho mestre.

    No final, por meio de uma simbólica cena envolvendo um número de magia, sobra apenas a dor e a destruição causada em nome do amor. Uma destruição cruel e implacável, mas fina e elegante. Sempre.

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