UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA

UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA

(Uma História de Amor e Fúria)

2012 , 74 MIN.

12 anos

Gênero: Animação

Estréia: 05/04/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Luiz Bolognesi

    Equipe técnica

    Roteiro: Luiz Bolognesi

    Produção: Caio Gullane, Débora Ivanov, Fabiano Gullane, Gabriel Lacerda, Laís Bodanzky, Luiz Bolognesi, Marcos Barreto

    Fotografia: Anna Caiado, Daniel Greco

    Trilha Sonora: Pupillo, Rica Amabis, Tejo Damasceno

    Distribuidora: Europa Filmes

  • Crítica

    03/04/2013 18h53

    Fã de grafic novels desde os tempos de adolescente, o roteirista Luiz Bolognesi (dos premiados Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade) desejava fazer uma animação para o público adulto que contivesse a essência dos quadrinhos em seu traço e tratasse da História do Brasil em seu enredo. Da concepção até a conclusão foram 10 anos de trabalho ao custo de R$ 4,5 milhões. Empenho e investimento nítidos na tela neste trabalho diferenciado e de acabamento refinado.

    Em tempos de predomínio dos recursos digitais nas animações, Uma História de Amor e Fúria chama a atenção por ter sido realizado com técnicas clássicas - os personagens foram desenhados e animados com lápis sobre papel. Os computadores só entraram na composição dos cenários e na sequência final do filme. Outro aspecto interessante da produção foi o fato de os desenhistas trabalharem em cima das interpretações previamente gravadas dos atores. Normalmente, estes colocam suas vozes em cima da animação já pronta.

    O longa acompanha as aventuras de um guerreiro Tupinambá (Selton Mello). Na época da chegada dos portugueses ao Brasil, ele é escolhido para combater Anhangá - força representante de todo o mal - e agreaciado com a imortalidade. Apaixonado por Janaína (Camila Pitanga), seu amor atravessa os séculos e sobrevive às diversas reencarnações da jovem. O guerreiro assume a forma de um pássaro quando morre e retorna à forma humana sempre que reencontra sua amada, seja na pele de um negro durante o período da escravidão ou como um jovem militante na resistência contra o regime militar.

    Voltado para o público adulto, o enredo da produção têm tom sério e trata de temas como guerras, injustiças e sexualidade. De estética atraente e uniforme, o filme tem excelente trilha sonora muito bem acondicionada à trama. O trabalho de edição de som também é elogiável, fazendo uma perfeita ambientação sonora de florestas, áreas rurais e metrópoles - algo fundamental para que o espectador sinta-se dentro de casa universo.

    O problema de Uma História de Amor e Fúria está no roteiro. Talvez pela necessidade de não se estender demais, o filme tem ritmo acelerado e peca pela falta de aprofundamento em determinados pontos. Isso diminui sensivelmente o impacto das agruras sofridas pelos personagens. O problema se torna ainda mais evidente pelo fato do filme ser desenvolvido de forma episódica. Ao final, tem-se a impressão que apenas a parte final, ambientada num Rio de Janeiro futurista, parece ter sido desenvolvida a contento.

    Para piorar, o longa propõe um revisionismo histórico pueril, onde Anhangá (o mal) é representado sempre pelo Estado, corporações e forças de segurança. Visão de mundo pobre e superficial que parece saída da cabeça de algum desses jovens que recentemente hostilizaram uma blogueira por aqui.


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