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V DE VINGANÇA

(V for Vendetta, 2005)

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22/05/2009 11h03
por Angélica Bito
Quando fiquei sabendo que o gênio dos quadrinhos Alan Moore não queria seu nome relacionado à versão cinematográfica de uma de suas obras mais conhecidas, confesso que fiquei com o pé atrás em relação a V de Vingança. Tratei de ler a HQ para saber melhor sobre essa relutância e cheguei à conclusão que o problema não é do filme, mas sim do autor (que sempre se mostrou arredio em relação aos filmes baseados em suas obras, como Do Inferno). Estando isso esclarecido, resta dizer que V de Vingança funciona muito bem como cinema, independente de ser adaptação de uma HQ tão respeitada.

Produzido pelos irmãos Wachowski - cujo nome tornou-se conhecido no mundo cinematográfico após a verdadeira revolução visual que propuseram em Matrix (1999) -, o filme marca a estréia de James McTiegue (que trabalhou como assistente de direção dos Wachowski) na direção. V de Vingança conta a história de um herói que luta contra a tirania em uma Inglaterra dominada pelo governo - ambiente bastante inspirado no clássico da literatura 1984, escrito por George Orwell em 1949. Sob o codinome V (Hugo Weaving), ele organiza diversas ações terroristas com o objetivo de chamar a atenção da população em relação ao tipo de governo que os lidera. Um governo que prende, tortura e mata negros e homossexuais; elimina qualquer rastro de cultura, como música, cinema e artes plásticas; e manipula a população por meio da mídia. Qualquer semelhança com o Nazismo não deve ser mera coincidência.

Inspirado em um revolucionário do século 17, V ameaça a hegemonia do governo. Em uma de suas ações, ele salva Evey (Natalie Portman, de novo mostrando ser mais do que uma bela atriz) de ser estuprada por Homens-Dedo (como são conhecidos os policiais). Logo ele tem a idéia de usá-la como uma espécie de aprendiz, abrigando-a em sua mansão. Aos poucos, vamos descobrindo que, sob sua enigmática máscara, V tem um plano de vingança relacionado ao seu passado.

Como adaptação, existem, sim, vários fatores da história original que não foram levados à tela. O roteiro da HQ é muito mais complexo, com mais personagens e tramas paralelas. Além disso, Evey é uma pessoa mais fraca e moldável nos quadrinhos. Ao mesmo tempo em que essas mudanças são necessárias - já que são duas linguagens totalmente diferentes -, elas acabam fazendo com que os fãs torçam o nariz, especialmente com as grandes modificações que a história teve no cinema, o que não chega a comprometer seu entendimento. Mesmo assim, talvez pela reação inicial dos fãs, nos EUA o filme rendeu em suas duas primeiras semanas em cartaz menos de U$ 50 milhões (custo estimado da produção), valor que tende a crescer graças à tradicional propaganda boca-a-boca.

Apesar de ser baseado numa HQ de ficção, V de Vingança guarda muitas semelhanças com o que vemos na sociedade moderna. Se não somos totalmente dominados pelo governo, podemos dizer que nossas vidas são controladas pela economia. Para não falar da opressão de idéias e da existência de pessoas que, como V, são chamadas de "terroristas" por tentar abalar, de suas formas particulares, o modelo atual de nossa sociedade. Muito bem dirigido, a produção tem ritmo e conta com uma direção de arte que sabe ser dura, simples ou estonteante quando é necessário. V de Vingança não traz aquelas inovações nos efeitos especiais que tornaram o nome dos Wachowski conhecido no mundo todo. E nem precisava: o próprio conceito agregado ao roteiro do filme já faz seu papel ao transformar este filme num dos sérios candidatos a melhores de 2006. Até agora.

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