VALSA COM BASHIR

VALSA COM BASHIR

(Waltz with Bashir)

2008 , 87 MIN.

18 anos

Gênero: Animação

Estréia: 03/04/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ari Folman

    Equipe técnica

    Roteiro: Ari Folman

    Produção: Ari Folman/ Serge Lalou/ Gerhard Meixner/ Yael Nahlieli/ Roman Paul

    Trilha Sonora: Max Richter

  • Crítica

    03/04/2009 00h00

    Como lidar com um passado marcado por bombas, sangue, injustiça, invasão e massacre? Negar, culpar-se, traduzir, reler? A opção do cineasta israelense Ari Folman passou pelo processo de negação, que causou lapso de memória, para trabalhar a experiência e chegar a uma definição, após uma longa viagem pessoal. O resultado é Valsa Com Bashir, que competiu pela Palma de Ouro em Cannes em 2008 e ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.

    O longa é feito em animação com desenho à mão. A história é autobiográfica. Folman integrou as tropas israelenses que invadiram o Líbano há 26 anos. Em junho de 1982, alegando que vinha sendo atacado por palestinos baseados no Líbano, Israel invadiu o país. Inicialmente, os judeus ocupariam apenas uma faixa de segurança para neutralizar os ataques, mas Ariel Sharon, à época Ministro da Defesa, estendeu a invasão até Beirute.

    Dois meses após a entrada de Israel, Bashir Gemayel, presidente eleito do Líbano, foi assassinado por radicais sírios e palestinos. O fato serviu de pretexto para o avanço dos judeus, que penetraram pelo oeste da capital. A invasão resultaria no assassinato de três mil palestinos, em apenas três dias, episódio conhecido como Massacre de Sabra e Chatila.

    O tema, essencialmente tenso e motivo de discórdias, é tratado pelo gênero da animação neste trabalho, que pode tanto suavizar como ressaltar momentos contados pelos entrevistados. No filme, após ter o mesmo pesadelo por noites seguidas, Folman, em auto-interpretação, conversa com um amigo terapeuta, que o aconselha a visitar antigos colegas de exército para relembrar o que aconteceu. A cada encontro com um amigo, as memórias dos horrores vêm à tona.

    Uma das imagens do filme é forte candidata para ficar marcada historicamente na gaveta de "melhores imagens cinematográficas": a única lembrança recorrente de Folman é de jovens soldados saindo de um rio, cujas peles são tocadas pelo pôr-do-sol. Esse trecho já é, por si só, uma razão para assistir ao filme.

    O diretor alega que, mesmo com a abordagem do tema, Valsa Com Bashir não é político. Como os significados de um filme partem do que foi mostrado na tela e o processo de releitura do espectador, é possível dizer que é sim um filme político. Tanto que, em Cannes, onde foi aplaudido fervorosamente por um minuto, o filme gerou discórdias: jornalistas libaneses criticaram a falta de posição do cineasta em relação à culpa de Israel no massacre - em 1982, Sharon foi acusado de omissão.

    Atribuindo ou não a culpa sobre o comando do estado judeu, o longa provoca a reflexão sobre a atuação militar do Estado de Israel, como já o haviam feito Paradise Now, narrado na perspectiva de um homem bomba palestino, ou o israelense Promessas de um Novo Mundo, crítico da falta de diálogo de ambos os lados.

    Mesmo que o uso da animação tenha suavizado a violência de algumas imagens, o diretor utiliza um antídoto: nas cenas que retratam o Massacre de Sabra e Chalita, não foram utilizados desenhos. O que se vê na tela são imagens captadas por cinegrafistas de televisão.

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