Pôster de Vazio Coração

VAZIO CORAÇÃO

(Vazio Coração)

2012 , 90 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 22/11/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alberto Araújo

    Equipe técnica

    Roteiro: Alberto Araújo

    Produção: Débora Torres

    Trilha Sonora: André Moraes

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Bete Mendes, Larissa Maciel, Lima Duarte, Murilo Rosa, Oscar Magrini, Othon Bastos, Patrícia Naves

  • Crítica

    19/11/2013 19h42

    Há quem diga que críticos de cinema dizem pouco de construtivo e sabem mesmo é esculhambar o trabalho alheio. Exageros de lado, vou começar essa resenha dando um conselho ao diretor e roteirista Alberto Araújo: ler os livros Roteiro - Os Fundamentos do Roteirismo e Manual de Roteiro, ambos escritos por Syd Field, o renomado "guru dos roteiristas" falecido no último domingo (17) nos Estados Unidos.

    Vazio Coração não propõe nenhuma ousadia narrativa, por isso mesmo teria funcionado com perfeição se tivesse seguido a estrutura em três atos e o "plot point" (ponto de virada), modelo criado por Syd Field e até hoje utilizado pela indústria de cinema norte-americana. Mesmo os que desaprovam o padrão engessado de Field não podem negar sua eficiência.

    Araújo comete alguns erros primários na construção da trama de Vazio Coração que minam rapidamente o potencial dramático da história. De cara revela o que motiva o conflito central: temos um filho Hugo Kari (Murilo Rosa) que tenta se reconciliar com o pai, o embaixador Mário Menezes (Othon Bastos). Hugo é um cantor popular de sucesso, rico e bem-sucedido.

    O espectador é levado a refletir sobre que motivo grave Mário teria para não querer papo com um filho que encheria qualquer pai de orgulho. O roteiro de Araújo não soube trabalhar o segredo e o revela muito antecipadamente, de forma direta, o que anula de cara o ponto de tensão que estava prendendo o público ao filme até então.

    Não seria caso perdido, claro, se Vazio Coração imediatamente criasse outras esperanças na audiência. Isso, no entanto, não ocorre. Há a partir da revelação dos motivos que sustentam o conflito central um grande hiato no qual o espectador sabe de antemão que o filme se encaminha para a reconciliação entre pai e filho, que será o clímax do longa.

    Antecipar o ponto alto do filme, ainda seguindo a cartilha de Syd Field, não constituiria um problema desde que até chegarmos lá tivéssemos uma ou duas quebras de expectativa, as famigeradas "viradas" de roteiro defendidas por Field. Estas não ocorrem e fica-se acompanhando os diálogos entre pai e filho num belo hotel na cidade de Araxá (MG) onde tentam chegar a uma conciliação.

    Não há subplots (tramas paralelas) em Vazio Coração, o que denota um tremendo subaproveitamento dos coadjuvantes. Temos dois grandes atores como Lima Duarte e Bete Mendes, que interpretam os avós de Hugo, sem nenhuma interferência na trama. São adornos como também o são os personagens de Oscar Magrini (empresário do cantor) e mesmo Larissa Maciel, que vive a mulher de Hugo. Esta passa o filme se comunicando com ele por Skype e, no final, com apenas um telefonema, resolve tudo.

    Vazio Coração sofre também com algumas derrapadas técnicas de direção. No primeiro encontro entre pai e filho, numas ruínas próximas ao hotel, o cineasta posiciona mal sua câmera. Bem mal, diga-se. Os enquadramentos não são os melhores, as angulações tampouco (nota-se um problema básico de quebra de eixo) e, para piorar, Araújo resolve fazer firulas com a câmera (rodando em torno dos personagens) tentando arrancar a fórceps uma emoção que não brota do diálogo.

    Em outra sequência, em que Hugo vai visitar os avós em Uberlândia depois de um show, seu empresário e o segurança dizem que vão dar uma volta para conhecer a cidade. Eles não querem incomodar o chefe, que precisa conversar com os pais de sua mãe. O cantor fica a sós com os avós, tem um diálogo emocionante com eles, e assim que este acaba a dupla de funcionários volta para o almoço. Como Araújo não soube trabalhar a passagem temporal - e a montagem não resolveu o problema -parece que a "volta para conhecer a cidade" virou uma volta no quarteirão.

    Não há o que se falar do elenco. Os atores são todos bons e experimentados, mas rendem o que o filme permite. Para um primeiro longa-metragem, talvez Aberto Araújo tenha assumido funções demais (além de dirigir e roteirizar, ele é o responsável pelas letras das canções interpretadas por Murilo Rosa) e delegado de menos. O que Vazio Coração precisava para não parecer tão vazio era de uma boa lapidada no roteiro (os livros do falecido Syd Field estão aí para ajudar) e uma mãozinha providencial na direção.

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