VERGER: MENSAGEIRO ENTRE DOIS MUNDOS

VERGER: MENSAGEIRO ENTRE DOIS MUNDOS

(Verger: Mensageiro Entre Dois Mundos)

1999 , 82 MIN.

14 anos

Gênero: Documentário

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lula Buarque de Hollanda

    Equipe técnica

    Roteiro: Marcos Berstein

    Produção: Flora Gil, Leonardo Monteiro de Barros, Pedro Buarque de Hollanda

    Fotografia: César Charlone

    Trilha Sonora: Naná Vasconcelos

    Elenco

    Narração e apresentação de Gilberto Gil

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O grupo carioca Estação é conhecido pelos fãs de cinema por distribuir nas nossas salas filmes europeus considerados “de arte”, produções que dificilmente chegariam no Brasil não fosse pelo despojamento comercial de uma distribuidora alternativa como é o Estação. Agora, além de bons e raros títulos europeus, o Estação passa também a distribuir filmes brasileiros de pouco ou nenhum apelo comercial. São basicamente produções de caráter alternativo que teriam poucas chances de exibição através das vias convencionais.

    O primeiro destes produtos nacionais é Verger: Mensageiro Entre Dois Mundos, documentário dirigido por Lula Buarque de Hollanda e apresentado por Gilberto Gil. Trata-se do registro cinematográfico de uma pesquisa realizada pelo próprio diretor e pelo roteirista Marcos Bernstein, que estiveram na África, na França e na Bahia em busca da trajetória do fotógrafo e etnógrafo francês Pierre Fatumbi Verger. Após viajar pelo mundo como fotógrafo, Verger radicou-se na Bahia em 1946, onde passou a estudar as relações e as influências culturais entre o Brasil e o Golfo do Benin, na África. Iniciado no candomblé, Verger se aprofundou na religião em suas viagens à África, onde se tornou babalaô e recebeu o nome de "Fatumbi", que significa "Renascido Graças ao Ifá". O Ifá é um jogo de adivinhação que originou o jogo de búzios conhecido no Brasil.

    Porém, a ponte entre a Bahia e a África estabelecida pelo pesquisador rompeu-se nos anos 40, e este documentário é exatamente uma tentativa de restabelecê-la. Gilberto Gil refaz o papel de “mensageiro” e percorre os mesmos caminhos do fotógrafo para a documentação de Lula Buarque de Holanda, neste que é o seu primeiro longa metragem.

    É inegável que a linguagem de Verger é muito mais televisiva que cinematográfica, apesar de suas imagens terem sido captadas em película. E nem poderia ser diferente: uma das produtoras do documentário é o canal GNT/Globosat, que inclusive já o exibiu na TV paga em 1998. Não por acaso, Verger ganhou o Grande Prêmio Cinema Brasil como Melhor Produção Cultural de Televisão, além da medalha de bronze no New York TV Festival. Sua distribuição na tela grande do cinema não deixa de ter um sabor de peixe fora d`água. Mas nesta virada de século, onde tanto se debatem as diferenças e as interações entre as diversas tecnologias de produção áudio visual, seu lançamento é no mínimo digno de nota. Nem que seja para botar ainda mais lenha nesta fogueira digital.

    Curiosidade: o filme inclui a última entrevista de Pierre Verger, filmada um dia antes de seu falecimento, em 11 de fevereiro de 1996.



    20 de dezembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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