Versos de um Crime

VERSOS DE UM CRIME

(Kill Your Darlings)

2013 , 106 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 12/06/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • John Krokidas

    Equipe técnica

    Roteiro: Austin Bunn, John Krokidas

    Produção: Christine Vachon, John Krokidas, Michael Benaroya, Rose Ganguzza

    Fotografia: Reed Morano

    Trilha Sonora: Nico Muhly

    Estúdio: Benaroya Pictures, Killer Films

    Montador: Brian A. Kates

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Ben Foster, Brenda Wehle, Clancy O'Connor, Craig Chester, Dane DeHaan, Daniel Radcliffe, David Cross, David Rasche, Dawn Newman, Elizabeth Olsen, Erin Darke, Jack Huston, Jennifer Jason Leigh, John Cullum, Jon DeVries, Lenore Harris, Leslie Meisel, Mark Ethan, Michael C. Hall, Michael Cavadias, Nicole Signore, Olen Holm, Quinlan Corbett, Sarah Hollis, Zach Appelman

  • Crítica

    11/06/2014 19h00

    Um dos maiores autores norte-americanos e percursor da geração beat, Allen Ginsberg teve sua vida e carreira marcadas por grandes acontecimentos. A diferença é que, como poeta, transformou suas experiência em uma nova maneira de enxergar a vida. Com discussão profunda sobre a morte, literal ou figurada, como agente transformadora da vida, Versos de um Crime se revela mais do que o suspense sobre um assassinato e discute a importância de construir novos começos.

    Ambientado na década de 1940, a trama acompanha a chegada de Ginsberg (Daniel Radcliffe) à Universidade de Columbia. Ilhado no conversadorismo da instituição, o jovem poeta e sua inclinação à desconstrução encontram um encantador aliado na figura de Lucien Carr (Dane DeHaan), rapaz envolvente e apaixonado pela literatura que cativa a todos a seu redor. Ao lado de Jack Kerouac (Jack Huston) e William Burroughs (Ben Foster), eles fundam o movimento chamado New Vision, que pretende revolucionar a literatura norte-americana inspirado na obra de W. B. Yeats.

    Em uma das primeiras cenas do filme, Ginsberg é introduzido por Carr à denominada wonderland, país das maravilhas de Columbia: um apartamento próximo à universidade que abre suas portas aos alunos para a diversão sem escrúpulos, além da livre discussão sobre poesia. No centro da sala, o professor David Kammerer, dono da casa, discursa sobre a organização cíclica da vida. Estamos eternamente presos a um esquema de destruição e reconstrução no qual a morte, mesmo que figurada, sucede o clímax. Mas essa previsibilidade da vida, segundo ele, pode ser quebrada quando algo novo aparece.

    A sinopse de Versos de um Crime sugere um suspense no qual o assassinato de um professor transforma um grupo de jovens e dá origem à chamada geração beat, manifestação literária da contracultura norte-americana. O assassinato, de fato, acontece, mas a discussão é mais profunda do que isso. Mais do que o prometido clima de thriller, o filme de John Krokidas revela a mudança na maneira de enxergar o mundo desta geração marcada pela experiência da Segunda Guerra Mundial e indisposta a aceitar as estruturas sociais vigentes, mesmo as que organizam os versos de um poema.

    A direção do filme dá dicas sobre o surgimento desta ideia de desconstrução dos modelos padrões de vida. Ao longo do rolo, trechos marcantes são repassados de trás para frente, fazendo menção justamente à quebra do ciclo que esta geração irá promover com sua literatura.

    A indecisão entre o tom de suspense e aquele conhecido clima Sociedade Dos Poetas Mortos de culto à literatura prejudica um pouco o andamento do filme: ele perde o ritmo quando se aproxima do final e o desfecho fica um pouco superficial. Embora não seja compensador, o elenco entrega boas atuações, de maneira geral: Radcliffe, o eterno Harry Potter, convence na figura do sensível e apaixonado Ginsberg na mesma medida em que DeHaan cativa como o motivador do movimento.

    Mais ambicioso do que sugere, Versos de Um Crime é um filme que fala sobre como eventos fantásticos podem transformar completamente a organização social e revelar novos agentes. No filme de Krokidas, este 'evento catalisador' não é a morte de David Kammerer, mas o encontro da sensibilidade de Allen Ginsberg com a energia vibrante de Lucien Carr. O clímax, assim, está mais perto destes momentos do que das estocadas no peito do professor americano. Uma surpresa positiva.

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