Vestido para Casar

VESTIDO PARA CASAR

(Vestido para casar)

2014 , 105 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 07/08/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gerson Sanginitto, Paulo Aragão Neto

    Equipe técnica

    Produção: Gerson Sanginitto

    Estúdio: Raconto Produções

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    André Mattos, Catarina Abdalla, Fernanda Rodrigues, George Sauma, Júlia Rabello, Leandro Hassum, Marcos Veras, Renata Dominguez, Ricardo Conti, Tonico Pereira

  • Crítica

    06/08/2014 15h18

    Ao fazer cinema pode-se optar pelo risco; propor alguma ousadia narrativa ou estética na busca por fazer algo inconfundível. Nestes casos colocam-se reputações em risco. Se tudo der errado, sobra o elogio à coragem, às vezes nem isso. Mas para quem quer fazer o trivial, uma comédia de entretenimento como Vestido para Casar, o caminho é fácil. Tem-se à disposição mais de um século de cinema, muitos filmes semelhantes bem-sucedidos, uma verdadeira enciclopédia de imagens para tomar como referência.

    Daí você assiste a esta reedição brasileira de uma típica comédia de erros e se pergunta: Como os realizadores conseguiram perder a mão, errar de cabo a rabo, mesmo fazendo mais do mesmo? A trama é o suprassumo do déjà vu: personagem central certinho, prestes a casar, se mete inadvertidamente numa confusão e conta mentira para safar-se. Daí é obrigado a contar mais uma, outra e as confusões viram uma bola de neve da qual não consegue ver saída.

    É um filme "receita de bolo de caixinha", do tipo que, em tese, não teria como errar. Mas os desacertos neste longa são tão gritantes que a certa altura perde-se a paciência. Um espectador otimista ainda pode esboçar uns sorrisos de campanha eleitoral – desses que não têm nenhuma relação com o que se está sentido – no início, num esforço da vitória da esperança sobre a realidade. Mas o esforço não vai durar muito. Vestido para Casar, além de não ser engraçado, é incapaz de tornar credível sua trama aos olhos do público.

    Aqui vale uma ressalva: credibilidade em cinema nada tem a ver com verossimilhança. Na tela você pode contar uma história nonsense, surreal, de personagens improváveis, o segredo está em convencer o público daquela realidade, mesmo que insólita. E aqui, a soma de direção inábil com roteiro precário faz com que se desconfie de cada situação proposta - todas parecem duvidosas dentro da própria história e erra-se o tempo do humor a todo instante. Até mesmo o que tinha potencial para ser engraçado, deixa de ser.

    Uma cena introdutória, passada numa livraria de aeroporto, dá a medida da falta do famigerado timing para comédia, quem nem roteiristas nem diretores têm. A sequência se estende demais, torna-se cansativa e mina toda a possível graça que poderia se tirar da situação. Esta falta de cadência segue ao longo do filme, colocando o bom elenco, gente que sabe fazer humor, em situação embaraçosa, afinal, há algo muito errado se não consegue fazer rir trabalhando com nomes como Leandro Hassum, Marcos Veras, Júlia Rabello, André Mattos, Tonico Pereira e Eliezer Motta.

    Fazer Vestido para Casar não envolvia nenhum risco, seus realizadores só precisavam ter consultado a "enciclopédia de imagens" que citei acima para atingir seus propósitos. Não fizeram e o resultado foi um filme sem graça, com roteiro indigesto e um humor que fica sempre à margem e nunca entra em cena de fato. Era bolo de caixinha, mas "os cozinheiros" fizeram a mágica de solar.

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