VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO

VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO

(Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo)

2009 , 75 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 07/05/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Karim Ainouz, Marcelo Gomes

    Equipe técnica

    Roteiro: Eduardo Bernardes, Karim Ainouz, Marcelo Gomes

    Produção: Daniela Capelato

    Fotografia: Heloísa Passos

    Trilha Sonora: Chambaril

    Estúdio: Gullane Filmes

    Distribuidora: Espaço Filmes

    Elenco

    Irandhir Santos como José Renato

  • Crítica

    09/05/2010 19h09

    Não é muito usual no cinema brasileiro o longa metragem dirigido em parceria. Talvez Walter Salles e Daniela Thomas (Linha de Passe) sejam a exceção que confirma a regra. Menos comum ainda é que esta parceria seja realizada entre dois cineastas já consagrados em seus filmes anteriores. Apenas isto já valeria uma espiada em Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, dirigido a quatro mãos por ninguém menos que Marcelo Gomes (de Cinema, Aspirinas e Urubus) e Karim Aïnouz (dos ótimos Céu de Suely, Madame Satã). A boa notícia é que, muito mais do que a simples curiosidade cinematográfica, o filme traz uma rara inspiração poética.

    Tudo é narrado sob o ponto de vista de um personagem que não aparece em cena. Apenas ouvimos a voz de José Renato (Irandhir Santos, o vilão de Besouro, que estará também em Olhos Azuis), um geólogo que parte solitário para uma longa viagem pelo interior do Brasil, onde deverá analisar os terrenos por onde passará um futuro canal. Pelo caminho, entre o peso de sua solidão e a aridez – literal e simbólica – de seu ofício, ele cruza com pessoas ligadas à terra e imagina belas cartas de amor à sua amada distante. Cada vez mais distante.

    Não se sabe onde começa a ficção e termina o documentário. E nem é intenção que se saiba: o filme resulta de um processo que levou mais de dez anos de captação de imagens em vários suportes, do antigo Super-8 ao moderno digital. Um mergulho pelo interior de um Brasil e de uma alma dolorida.

    Os diretores jogam no lixo qualquer tipo de padronização estética e oferecem ao público um inebriante coquetel de imagens oníricas, propositalmente imperfeitas, onde o ruído e o desenfoque são a própria linguagem de um protagonista muito bem localizado na geografia do país, mas totalmente perdido no emaranhado de próprio labirinto emocional.

    Sim, é um road movie. Não do tipo tradicional, mas sim uma bela viagem sensorial pelo interior de um sentimento. Em tempos onde o 3D impõe uma nova exigência visual (e financeira) às novas platéias, é bom, muito bom, constatar que ainda se faz cinema de alta qualidade apenas com uma câmera no carro e uma paixão no coração.

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