VIDA SOBRE RODAS

VIDA SOBRE RODAS

(Vida Sobre Rodas)

2010 , 110 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 26/11/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Daniel Baccaro

    Equipe técnica

    Roteiro: Guilherme Keller

    Produção: Daniel Baccaro, Jean Paulo Lasmar

    Fotografia: Pierre de Kerchove

    Trilha Sonora: Daniel Ganjaman, Mauricio Takara

    Estúdio: Goma Filmes, Miravista

    Distribuidora: Buena Vista Pictures

    Elenco

    Bob Burnquist, Cesinha Chaves, Christian Hosoi, Cristiano Mateus, Daniel Bourqui, Danny Way, Digo Menezes, Eduardo Badeco, Jorge Kuge, Lance Mountain, Lemuel Dinho, Léo Kakinho, Linconl Ueda, Márcio Tanabe, Mauro Mureta, Sandro Dias, Sérgio Negão, Thronn, Tony Hawk

  • Crítica

    22/11/2010 14h48

    Vida Sobre Rodas é um documentário sobre a trajetória do skate no Brasil contado principalmente sob a perspectiva de quatro nomes que já entraram pra os anais do esporte: Sandro Dias, Bob Burnquist, Lincoln Ueda e Cristiano Mateus. Apesar de ser declaradamente uma homenagem às pessoas que construíram uma história e direcionado aos que gostam de skate, o filme permite leituras além.

    A primeira é a organização em tribo dessa turma que data lá do início dos anos 1980. Com as entrevistas do filme, vamos sentindo e entendendo as diversas divisões entre pequenos grupos. Os maloqueiros, os almofadinhas, os pobres que tinham onde cair e os que também não tinham, os que abriram as portas para os gringos. Enfim, dezena de subgrupos que, para um espectador leigo do bê-a-bá do skate, é uma descoberta.

    Mesmo porque, em Vida Sobre Rodas, trabalha-se menos com life style (ideia próxima da moda e da propaganda) e mais com o conceito antropológico de tribo (organização por meio de identidades em comum). Cabe dizer que essa estrutura reverbera em qualquer espectador com o mínimo de interesse em comportamento humano.

    Tanto que um dos momentos mais interessantes do filme é a proibição fascista de Jânio Quadros, em 1988, do skate na cidade de São Paulo. Sim, policiais saíram à caça dos objetos e lotaram seus camburões com skate apreendidos. Ali, por sinal, existe uma discussão instigante, mesmo que não dita pelos entrevistados: a ocupação do espaço público. Mas, enfim, isso já é tema pra outro filme.

    Por optar em se concentrar em tribos, o documentário escrito por Guilherme Keller e dirigido pelo ex-skatista Daniel Baccaro concentra-se em figuras mais conhecidas, aquelas que a História elegeu para registrar em seus autos. Mesmo assim, um punhado de gente que não chegou a um título mundial como Sandro Dias ou tem carta branca nos Estados Unidos como Bob Burnquist estão lá no filme. Os ilustres “desconhecidos”, aqueles que quando se lê um pouco mais sobre a História de qualquer assunto descobre-se.

    Novamente, outro aspecto que aparentemente lida com o skate, mas que discute algo comum a grupos. Quantos compositores desconhecidos foram tão bons ou melhores que Donga, que ficou marcado na História como o compositor do primeiro samba, em 1917? Quantos jogadores de várzea poderiam ter se tornado o próximo Neymar? Tem os que ficam e aqueles que só quem conhece muito do metiê já ouviram falar.

    Mas, colocando os pés no chão, Vida Sobre Rodas é, em última instância, um documentário sobre a trajetória do skate no Brasil. Ou seja, muitas (!) tomadas de corpos alçando voos impossíveis a bordo de um pedaço de madeira com quatro rodinhas embaixo. Há também entrevistados falando sobre manobras com nomes indecifráveis, graus de rotação, gírias de grupo e por aí vai.

    Bem conduzido – especialmente pela montagem esperta de Willem Dias –, Vida Sobre Rodas é prato cheio para amantes do esporte, mas não deixa de ter suas pontas de diálogos com leigos.

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