Pôster de Vidro

VIDRO

(Glass)

2019 , 117 MIN.

14 anos

Gênero: Mistério

Estréia: 17/01/2019

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  • Ficha técnica

    Direção

    • M. Night Shyamalan

    Equipe técnica

    Roteiro: M. Night Shyamalan

    Produção: Ashwin Rajan, Jason Blum, John Rusk, M. Night Shyamalan, Marc Bienstock

    Fotografia: Mike Gioulakis

    Trilha Sonora: West Dylan Thordson

    Estúdio: Blinding Edge Pictures, Blumhouse Productions, Touchstone Pictures, Universal Pictures

    Montador: Luke Ciarrocchi, Renaldo Kell

    Distribuidora: Disney

    Elenco

    Adam David Thompson, Anya Taylor-Joy, Aurora Karine, Brian Donahue, Bruce Willis, Charlayne Woodard, Diana Silvers, James McAvoy, Jane Park Smith, Jessica Heller, Kyli Zion, Lory Molino, Luke Kirby, Marisa Brown, Nina Wisner, Rob Yang, Samuel L. Jackson, Sarah Paulson, Shayna Ryan, Spencer Treat Clark, Ursula Triplett

  • Crítica

    16/01/2019 20h30

    Por Thamires Viana

    Em 2000, M. Night Shyamalan trazia para às telas Corpo Fechado, longa que mergulha no universo dos super-heróis de uma forma discreta e minimalista e que foge dos estereótipos de filmes da temática.

    Com Bruce Willis no papel de David Dunn, um pai de família que desenvolve força sobre-humana após sobreviver a um grave acidente de trem, e Samuel L. Jackson como o Sr. Vidro, um homem portador de uma doença óssea que acredita que David é um super-herói, a novidade não teve tanto apelo já que o público parecia esperar um pouco mais da mente criativa do cineasta que um ano antes tinha estourado miolos com O Sexto Sentido.

    Surpreendentemente, Shyamalan retornou dezesseis anos depois com uma sequência não declarada e pouco ligada ao primeiro. Fragmentado, estrelado por James McAvoy, trazia um ar mais denso e intelectualizado sobre um jovem que possui dezenas de personalidades distintas, e a cena final mostrou que o diretor tinha novos planos para unir os heróis e vilões. Prova disso é que Vidro, encerramento dessa "trilogia surpresa", chega nesta quinta-feira (17) aos cinemas e promete dar aos fãs um belo desfecho do universo particular criado por ele. 

    No novo longa, David Dunn é dono de uma loja de segurança doméstica e admistra o local juntamente com seu filho Joseph (Spencer Treat Clark). Sua nova missão é capturar Kevin Crumb (James McAvoy) que permanece usando suas inúmeras facetas para sequestrar jovens e deixar que a Fera, seu alter ego mais perigoso, apareça para terminar o trabalho. Quando são capturados e levados para um hospital psiquiátrico, eles passam a ser supervisionados pela Drª. Ellie Staple (Sarah Paulson), psiquiatra especializada em indivíduos que acreditam possuir super poderes, e que também atende outro importante paciente do local: Sr. Vidro.

    Antes de mais nada é preciso pontuar a genialidade de Shyamalan ao criar um universo de suspense que talvez nem tivesse tanta pretenção de acontecer. Ao entrelaçar as histórias desses três personagens, ele dá ao público referências sutis que agradam aos mais atentos pelos detalhes dentro de um roteiro complexo. Sem expor ou entregar de bandeja qual a verdadeira ligação entre os personagens, o filme pode parecer arrastado no primeiro ato, mas deslancha quando a união do trio passa a ter um propósito sólido.

    O equilibro no enredo se encontra na descrença de Staple em relação a esses humanos extraordinários e na aptidão de Sr. Vidro ao tentar provar que suas ideias e concepções tiradas de histórias em quadrinhos ambientadas em uma rotina pacata estão certas. Os conflitos entre certo ou errado não tomam o espaço da trama, já que esta tem mais a nos dizer em detalhes singelos que circulam entre os diálogos e as atitudes dos personagens. Essas pequenas doses de suspense inseridas propositalmente no roteiro entregam que o intuito do filme é prender o espectador às incertezas do verdadeiro propósito desse encontro entre os heróis e vilões. 

    Em termos de atuação, meus mais sinceros elogios vão para McAvoy, que assim como em Fragmentado, surpreende ao inserir as 24 personalidades de Kevin brilhantemente. Quando encarna a Fera, que possui um grande destaque no desfecho, o ator usa de força física e psíquica de forma brutal e domina a tela. Jackson revive com genialidade o frágil Elijah Price, mas é importante destacar que a expectativa em vê-lo assumindo o controle pode frustrar, já que ele só abandona seu lado apático na metade do segundo ato. O mesmo acontece com Willis, que apesar de sua importância para o desfecho e por dar início ao filme, parece um tanto quanto apagado em cena. 

    Vidro chega como um dos melhores filmes da carreira de Shyamalan e o reafirma como um diretor que gosta de correr riscos quando insere as próprias crenças em seus trabalhos. Ele encerra a trilogia de forma concisa e com decisões irreversíveis, mas anula o sentimento de melancolia quando nos faz entender que, apesar de sua ambição, seu plano não está em ampliar uma trama que certamente deu adeus na hora certa!

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