VITTORIO DE SICA - MINHA VIDA, MEUS AMORES

VITTORIO DE SICA - MINHA VIDA, MEUS AMORES

(Vittorio D)

2009 , 92 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 02/07/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Annarosa Morri, Mario Canale

    Equipe técnica

    Estúdio: LA7, Surf Film

    Distribuidora: Art Films

    Elenco

    Clint Eastwood, Dino de Laurentis e Mike Leigh, Ettore Scola, John Landis, Ken Loach, Mario Monicelli, Woody Allen

  • Crítica

    23/06/2010 13h13

    Se tomarmos como parâmetro os documentários que anualmente resplandecem na programação do festival É Tudo Verdade, fica claro que o gênero tem se tornado cada vez mais inventivo e provocador, responsável por quebrar convenções, abordar assuntos delicados e ampliar as possibilidades de linguagem.

    Por isso, um filme como Vittorio De Sica – Minha Vida, Meus Amores parece até atravessar o andamento, como diriam os sambistas, da tendência contemporânea dos documentários. Dentro de sua simples pretensão, o filme de Mario Canale e Annarosa Morri é bem sucedido.

    Vittorio De Sica – Minha Vida, Meus Amores começa tremendamente mal, com uma montagem-jogral a partir de pedaços de entrevistas com diversos cineastas endeusando De Sica. Depois dessa penosa introdução, o filme foge da abordagem mitológica chapa-branca, característica dos documentários covardes, para investigar o seguinte: como o cineasta e o humano conviveram na mesma pessoa?

    A despeito de sua forma careta, o documentário acerta em cheio ao captar a essência do cinema de Vittorio: simplicidade. A postura do diretor no set, o trabalho como ator, o prazer pelo jogo e o olhar burguês com os pobres (e as saídas lúdicas). Enfim, suas características levam a um cinema tragicômico.

    Aí o documentário de Mario Canale e Annarosa Morri chega a um ponto nevrálgico: o De Sica cineasta e o Vittorio como pessoa estão juntos, algo raro no campo cinematográfico, repleto de brigas de egos, arrogância, presunção, no qual a beleza dos filmes nem sempre espelha quem a produziu.

    Uma pessoa encantadora que realizou filmes encantadores (Ladrões de Bicicleta), reflexivos (Umberto D.) e engraçados (Ontem, Hoje e Amanhã).

    Para além disso, Vittorio De Sica – Minha Vida, Meus Amores oferece pouco. Imagens de arquivo interessantes do período como ator, mas um punhado de entrevistas desnecessárias. Peter Bogdanovich, que perdeu o caminho do talento há mais de vinte anos, Clint Eastwood, que acrescenta pouco, John Landis, extremamente empolgado, ou Woody Allen, que mistura comentários precisos com lugares comuns.

    As exceções são os italianos. Eles sim ampliam as possibilidades de interpretação da obra de Vittorio De Sica, além de guardarem boas histórias de bastidores, especialmente os filhos do diretor.

    A Surf Film, produtora do documentário, realizou uma série de outros telefilmes sobre personalidades do cinema italiano, como Gillo Pontecorvo, diretor de A Batalha de Argel, a atriz Sophia Loren, o ator Marcelo Mastroianni, o diretor Marco Ferreri (A Comilança), Tonino Guerra (roteirista de Fellini, Monicelli e Antonioni).

    O que explica o formato de Vittorio De Sica: didático e discreto. Cumpre sua função de apresentar aspectos importantes do cineasta, mas nos pede uma boa dose de paciência com sua tamanha falta de pretensão.

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