VITUS

VITUS

(Vitus)

2006 , 100 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 06/03/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Fredi M. Murer

    Equipe técnica

    Roteiro: Fredi M. Murer, Lukas B. Suter, Peter Luisi

    Produção: Christian Davi, Christof Neracher

    Fotografia: Pio Corradi

    Trilha Sonora: Mario Beretta

    Elenco

    Bruno Ganz, Fabrizio Borsani, Julika Jenkins, Teo Gheorghiu, Urs Jucker

  • Crítica

    06/03/2009 00h00

    Se uma das atribulações do crítico fosse adivinhar quais filmes fariam sucesso, ou se nossa profissão tão difamada ganhasse um status repentino de tal nobreza que passássemos a ser consultados pelas distribuidoras sobre quais filmes comprar e por quê, eu diria sem pestanejar que Vitus é do tipo que faria um relativo sucesso graças ao boca a boca.

    O filme de Fredi M. Murer tem vários ingredientes que costumam agradar em cheio o público atual de cinema: protagonista criança, vovô excêntrico que é a única pessoa que entende o infante superdotado, exploração dos sonhos que cada um de nós tem e, acima de tudo, disposição de todos os personagens para voltar atrás e reconhecer erros, posturas exageradas, egoísmo e assim encaminhar a narrativa para um final forçosamente conciliador. Vitus, tendo todas essas qualidades, é, então, um belo filme, certo? Errado. É apenas um filme mediano, com toda a carga negativa que essa qualificação deve ter.

    Voltamos à era dos patrulhamentos. "Não pode chorar, tem que sorrir, hein", diz o artista popular na televisão. "É tudo alegria", diz outro boçal em algum canto qualquer. Enquanto isso, vamos descendo a ladeira e o nosso cinema, incluindo aí o que recebemos de fora em nossas salas, vai junto. Assim, dá para esperar o relativo sucesso de Vitus justamente porque é um filme fraco, ou, antes disso, anódino, que não fala mal de ninguém. Sabem como é, no máximo pode almejar ser, mal comparando, aquele amigo que está sempre na boa, ajuda a todos, mas nunca é lembrado quando corações são consultados.

    Não dá para comparar cinema com amizades e justamente por isso Vitus deve agradar. Do cinema se espera, geralmente, algo edificante, alegre, que não coloque as certezas em cheque. Quando surge algo mais afrontador, vem cercado de cuidados que enfraquecem o potencial de transgressão (exemplo máximo: Baixio das Bestas, mas existem outros). O público atual vai ao cinema para se embriagar, a grosso modo, e mesmo o que era mais exigente está perdendo o rigor, o olhar, não tem mais como perceber que o que lhe é oferecido como novidade na verdade é mais do mesmo.

    Vitus é exatamente isso. Porque nada mais é do que a aplicação de uma fórmula há muito batida com ingredientes ligeiramente modificados. Filme sobre garoto superinteligente que enfrenta as altas expectativas que fizeram em torno dele aliando-se ao vovô que tem mania de aviador. Seu intelecto superior mais cedo ou mais tarde dará um jeito de fazer com que todos sejam felizes. E essa felicidade passa para o espectador, que vai embora sem que suas certezas sejam abaladas. Sem que sua alegria seja ameaçada pela realidade do mundo ou mesmo por questionamentos que deveriam ser a razão de se querer progredir. Do cinema, já não se espera mais o choque, muito menos a dúvida.

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