VIÚVAS

VIÚVAS

(Viudas)

2011 , 100 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 21/12/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Marcos Carnevale

    Equipe técnica

    Roteiro: Bernarda Pagés, Marcos Carnevale

    Produção: Hector Cavallero

    Fotografia: Horacio Maira

    Estúdio: Aleph Media, Corbelli Producciones, Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA), Patagonik Film Group, Tronera Producciones

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Graciela Borges, Martín Bossi, Rita Cortese, Valeria Bertuccelli

  • Crítica

    18/12/2012 15h31

    À beira da morte, o músico Augusto chama sua mulher para perto do leito e lhe faz um último pedido: “Cuide dela.” Ela, no caso, é a amante que mantém há cinco anos. Esse é o mote de Viúvas, filme do diretor argentino Marcos Carnevale. E poderia ser o argumento de uma novela do Manoel Carlos também.

    Elena (Graciela Borges) é uma renomada documentarista, na faixa dos 50 anos, bem-sucedida e desejada pelos admiradores de seu trabalho. Qualquer semelhança com as “Helenas” do Maneco não passa de mera coincidência. Já Adela (Valéria Bertucceli), a amante, é uma jovem descontrolada e emotiva.

    Enquanto a viúva oficial renega o pedido do marido traidor de cuidar da amante, a viúva estepe tenta estabelecer uma relação com ela, manter o último vínculo com Augusto aceso. Após um momento de desespero com desfecho quase trágico, Elena leva a jovem para passar uns tempos em sua casa. No mesmo período, a diretora está finalizando um documentário no qual várias mulheres falam sobre como o amor pode ser doloroso.

    Quando o filme é entrecortado por esses depoimentos fica extremamente novelesco. Para completar, as cenas de introspecção de Elena dando voltas pela cidade em seu carro - com enquadramento típico das tramas televisivas e trilha sonora medonha tentando levar à comoção - geram um cansaço absurdo.

    A relação entre as ex-mulheres, com Adela sendo cada vez mais invasiva, remete à ligação entre mãe e filha. Graciela Borges (Dois Irmãos) mantém a mesma expressão no longa inteiro com sua personagem rígida e centrada, que contém o barulho do choro enfiando uma toalha na boca. Por outro lado, a histeria de Valéria Bertucceli (XXY) chega a incomodar. Um desperdício diante da capacidade de interpretação dessas atrizes.

    Os personagens parecem plásticos, forçados, e a própria superficialidade do roteiro não dá margem para ir além disso. Entretanto, o estreante Martín Bossi surpreende na pele da empregada travesti Justina, sem a afetação comum depositada na interpretação de tais papéis.

    A convivência das duas mulheres em luto poderia ter sido melhor explorada, mas o filme fica em cima do muro: a história não instiga a audiência e nem consegue ser interessante o suficiente para uma abordagem mais direta. As cenas dos vídeos caseiros de Augusto com cada mulher, tentando invocar nostalgia, também são dispensáveis.

    Um tema complexo beirando o dramalhão mexicano, colocado de maneira superficial e previsível, faz de Viúvas um filme que não ficará na memória do espectador. Vê-lo ou sintonizar na novela das oito dá no mesmo. Se nos últimos tempos o cinema argentino conseguiu fazer muito com pouco, dessa vez produziu uma exceção.

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