VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS

VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS

(You Will Meet a Tall Dark Stranger)

2009 , 98 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 26/11/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Woody Allen

    Equipe técnica

    Roteiro: Woody Allen

    Produção: Jaume Roures, Letty Aronson, Stephen Tenenbaum

    Fotografia: Vilmos Zsigmond

    Estúdio: Antena 3 Films, Antena 3 Televisión, Dippermouth, Gravier Productions, Mediapro, Versátil Cinema, Zentropa International Sweden

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Alex MacQueen, Amanda Lawrence, Anna Friel, Anthony Hopkins, Antonio Banderas, Anupam Kher, Christian McKay, Christopher Fulford, Eleanor Gecks, Ewen Bremner, Fenella Woolgar, Freida Pinto, Gemma Jones, Geoffrey Hutchings, Jim Piddock, Joanna David, Johnny Harris, Jonathan Ryland, Josh Brolin, Kelly Harrison, Lucy Punch, Lynda Baron, Meera Syal, Naomi Watts, Natalie Walter, Neil Jackson, Pauline Collins, Pearce Quigley, Philip Glenister, Robert Portal, Roger Ashton-Griffiths, Rupert Frazer, Shaheen Khan, Theo James, Zak Orth

  • Crítica

    22/11/2010 18h35

    No mínimo, o título do novo filme de Woody Allen, Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, é irônico. Sarcástico seria um adjetivo mais fiel ao 46º trabalho do neurótico nova-iorquino na direção. O espectador desavisado que se guiar pelo elenco estrelar e comprar o ingresso com a expectativa de ver um conto de fadas com personagens que vivem felizes para sempre, escolheu o filme errado.

    De saída, Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos faz uso do narrador, muleta constante dos filmes de Woody Allen, para citar uma frase do quinto ato da tragédia shakespeariana Macbeth: “Fora! apaga-te, candeia transitória! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre cômico que se empavona e agita por uma hora no palco, sem que seja, após, ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muita barulheira, que nada significa”.

    Pronto, está esclarecida a maneira que o filme olha para seus personagens e, em última instância, para a vida: um fugaz passagem de tempo que, mesmo desimportante, damos muito valor a ela. Sofremos, rimos, achamos que o mundo vai acabar logo após uma decepção, somos encurralados pelos medos, capturados pela insegurança. Mas por que damos tanta importância para tudo isso?

    Woody Allen, em vez de mergulhar nas dores de seu personagens, decide observá-los depois da tormenta. Quer dizer, eles estão lá sofrendo: Roy (Josh Brolin) não consegue escrever um bom livro, Sally (Naomi Watts) não realiza o desejo da maternidade, Helena (Gemma Jones) não supera a separação após 40 anos de casamento. Eles sofrem, mas o olhar que o diretor e roteirista dá é de quem já passou por isso, ou seja, já consegue observar o ridículo que há no sofrimento – algo que só se percebe quando nos livramos dele, quando o triste é passado e olhamos comicamente para os episódios que roubaram tanto de nossas energias.

    Aqui reside minha principal resistência com Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, mas também com o cinema recente de Woody: ele tem à sua frente uma forte matéria humana, porém decide se desviar dela para aliviar tanto para seus personagens como para o espectador. Digamos que Woody olha apenas para a Lado B de seus personagens e deixa de lado Lado A. Mesmo mais pessimista do que há vinte anos, Woody continua atenuando e se concentrando na superfície.

    Mas deixando de ser inocente, Woody faz o filme que diz respeito às necessidades dele como artista, não às minhas como crítico e cinéfilo. Isso posto, Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, dentro da proposta de justamente olhar para o ridículo do sofrimento, faz um ligeiro e palatável ensaio sobre a vida. Só não consigo deixar de apontar a frustração pelo filme ser uma versão pocket e mastigada de temas, por exemplo, shakespearianos.

    Sim, Woody é um diretor prolífico de comédias dramáticas, não de filmes existencialistas. Ele é Woody Allen, não Ingmar Bergman – e quando tentou sê-lo, foi desastre puro. Minha sensação é que, se já mergulhamos na nossa existência com Bergman, por que ir em direção a uma versão mais leve da nossa vida, propiciada por Woody? Porque nem sempre o que queremos é chorar. É verdade, mas, perdoem-me os leitores apaixonados pela abordagem de Woody – que é única, eficaz e precisa –, mas é difícil cair de amores pela rarefatibilidade de Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos.

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