VOCÊS, OS VIVOS

VOCÊS, OS VIVOS

(Du Levande)

2007 , 94 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia: 09/04/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Roy Andersson

    Equipe técnica

    Roteiro: Roy Andersson

    Produção: Pernilla Sandström

    Distribuidora: Filmes da Mostra

    Elenco

    Birgitta Persson, Björn Englund, Elisabet Helander, Gunnar Ivarsson, Hâkan Angser, Jessica Lundberg, Leif Larsson, Olie Kemal Sener

  • Crítica

    09/04/2009 00h00

    Um filme estruturado em esquetes está sujeito a dois riscos:

    a) A ausência de uma história linear pode afastar o espectador, deixando-o com uma frieza que impede qualquer identificação com as pessoas que aparecem na tela;

    b) Se um esquete não funciona, o espectador pode perder o fio da meada, ou mesmo se cansar da estrutura com maior rapidez.

    Por isso, é louvável a forma com que Roy Andersson, diretor sueco que já havia emocionado os espectadores com Uma História de Amor na Suécia e Canções do Segundo Andar, estrutura o seu mais novo afrontamento ao cinema narrativo chamado Vocês, os Vivos.

    Andersson, diretor bissexto, explora brilhantemente o plano-sequência, posicionando sua câmera a uma distância relativamente grande dos atores e trabalhando a relação deles com o espaço criado pelo quadro. De Buñuel, parece tirar a busca pela simetria, só que, ao contrário do mestre espanhol, ele não abala essa simetria até o final do plano, no que se assemelha a Manoel de Oliveira, com seus quadros absolutamente impecáveis e simétricos. De Iosseliani, aproveita o gosto pelos painéis, algo que Altman sempre tentou fazer e só de vez em quando acertou.

    Por fim, vale comparar as situações e a encenação com as que Ari Kaurismaki trabalha em seus maiores filmes, ainda que o humor de Andersson seja muito mais puxado pelo nonsense e seus personagens, descolados de qualquer história possível, agindo no ritmo dos sonhos tenham, por isso, muito menos relação a um passado trágico, ou uma relação que o espectador raramente tem como saber. Assim, o humor se dá de uma forma mais pura, pois não sabemos, nem podemos intuir, o passado das pessoas que aparecem no filme.

    Vale destacar a sequência brilhante da casa que flutua pelos transeuntes, enquanto um noivo toca sua guitarra. Trata-se de um dos momentos mais estranhos do cinema recente e dessa estranheza Anderson tira a maior força de seu filme, construído de maneira a extrair boa parte das situações cômicas do nonsense que norteia todas as situações.

    Espera-se que seu primeiro filme a chegar ao enfraquecido circuito paulistano acerte em cheio o público, acostumado à mediocridade que os produtores europeus empurram goela abaixo sob o rótulo duvidoso de "filme de arte". Andersson está muito acima desses rótulos, como o espectador irá comprovar.

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