VOU RIFAR MEU CORAÇÃO

VOU RIFAR MEU CORAÇÃO

(Vou Rifar Meu Coração)

2011 , 76 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 03/08/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ana Rieper

    Equipe técnica

    Roteiro: Ana Rieper

    Produção: Suzana Amado

    Fotografia: Manuel João Águas

    Trilha Sonora: Aurélio Dias

    Estúdio: Amado Arte&Produção

    Distribuidora: Vitrine Filmes

  • Crítica

    30/07/2012 15h00

    Se assume seu lado brega sem receios, vá ao cinema assistir ao divertido documentário Vou Rifar Meu Coração e aproveite para convidar os amigos. Se é do tipo que esconde curtir o sentimentalismo piegas de clássicos como “Eu vou tirar você desse lugar”, o escurinho do cinema é um ótimo lugar para manter seu anonimato. Só não deixe de ver o interessante documento de Ana Rieper sobre a música que embala a dor de cotovelo de muita gente, mesmos daqueles que negam até a morte.

    Ana garimpou personagens impagáveis dispostos a falar e escancarar seu coração para a câmera. E não poderia ser diferente num filme que trata das músicas que falam do amor e suas desilusões sem papas na língua. O resultado é um filme descontraído que funciona como uma coletânea de crônicas dos dramas amorosos vividos por muitos brasileiros.

    No longa, canções de artistas como Agnaldo Timóteo, Nelson Ned, Odair José, Amado Batista, Lindomar Castilho e Wando, por exemplo, se relacionam com as histórias da vida amorosa de pessoas anônimas, neste que também é um road movie, remetendo à trajetória de cada um desses personagens e sua fuga de uma dor de amor do passado ou presente.

    Os artistas citados acima dão depoimentos ao longo do filme, inclusive Lindomar Castilho – cuja música dá título ao longa. Para os mais novos que desconhecem o fato, Lindomar assassinou sua segunda mulher em 1981 por ciúmes e passou sete anos na prisão por causa disso. Seu depoimento é tido por muitos como o calcanhar de Aquiles do filme, já que a diretora não se aprofunda no caso.

    Sim, há um erro, mas de contextualização. Quem não conhece o episódio, fica sem saber.Mas dizer que o cantor justifica o crime é exagero. Ele admite ter errado e diz que o ser humano é passível de cometer tais excessos. E por acaso está mentindo? As páginas policias dos jornais e sua muitas histórias de crimes passionais estão aí para provar isso.

    Os pecados do documentário, na verdade, residem em outro lugar. Há uma cena de um casal gay dançando totalmente fora de contexto, meio que inserida a fórceps dentro do filme. Outra sequência problemática mostra uma mulher caminhando enquanto sua voz em off narra a realidade de amante de um homem há onze anos. A caminhada pelas ruas do bairro onde mora termina (assim como sua participação no filme) com ela entrando no que supomos ser sua casa. Descobre-se, então, que não há razão aparente para este depoimento ter sido colhido desta forma.

    Mesmo com esses deslizes citados, Vou Rifar Meu Coração tem o mérito de abrir caminho para a intimidade de um rico grupo de personagens com quem o público pode facilmente se identificar, mesmo não partilhando o mesmo gosto musical ou contexto social.

    Muito já se falou sobre a música brega brasileira e um documentário sobre o assunto só se justificaria se trouxesse algo novo e/ou abordagem diferenciada. A diretora Ana Rieper estava ciente disso e acertou no alvo, no caso, no coração da audiência.

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