Walesa

WALESA

(Walesa. Czlowiek z nadziei)

2013 , 127 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 29/05/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Andrzej Wajda

    Equipe técnica

    Roteiro: Janusz Glowacki

    Produção: Michal Kwiecinski

    Fotografia: Grazyna Gradon, Milenia Fiedler

    Trilha Sonora: Pawel Edelman

    Estúdio: Akson Studio, Canal+ Polska, Telewizja Polska (TVP)

    Montador: Ewa Brodzka

    Distribuidora: Esfera Filmes, Europa Filmes

    Elenco

    Agnieszka Grochowska, Cezary Kosinski, Dorota Wellman, Ewa Kolasinska, Ewa Kurylo, Iwona Bielska, Kamil Jaworski, Katarzyna Ankudowicz, Maciej Konopinski, Maciej Marczewski, Maciej Stuhr, Marcel Glogowski, Marcin Hycnar, Maria Rosaria Omaggio, Michal Czernecki, Miroslaw Baka, Piotr Probosz, Remigiusz Jankowski, Robert Wieckiewicz, Wiktor Malinowski, Wojciech Kalarus, Zbigniew Zamachowski

  • Crítica

    27/05/2014 18h52

    A década de 70 não foi uma época fácil em vários países. Se, no Brasil, a ditadura era de direita, na Polônia a esquerda trabalhava para manter o poder adquirido à força. Durante manifestações devido ao aumento abusivo nos preços dos alimentos, tanques tomaram as ruas e centenas de cidadãos foram presos e torturados. Nesse cenário começou a ganhar força a figura de Lech Walesa, futuro líder da organização sindical Solidariedade.

    O longa de Andrzej Wajda (O Homem de Ferro) retrata como um homem comum se viu, aos poucos, levado a liderar uma multidão. O contexto era tenso e confuso, sem direcionamento claro, como acontece em toda revolução.

    A história se desenvolve por meio do relato de Walesa a uma jornalista italiana. Esses momentos de diálogo entrecortam e conduzem a narrativa, além de pontuar contradições do eletricista que se tornou líder político. Em 1967, o protagonista desta trama assistiu à violenta repressão de protestos no estaleiro naval onde todos trabalhavam em péssima condições.

    Em 1970, se engajou definitivamente na política. Ao retratar esse momento conflituoso da Polônia, o longa enfoca detalhes para evidenciar o nível da tragédia de uma nação: o trabalhador que tem a perna esmagada por um tanque do exército; aquele que é preso por estar andando na rua no momento "errado"; ou o que apanha sem saber o por quê.

    Walesa foi preso centenas de vezes e suas passagens na cadeia rendem perspectivas interessantes. Quando é interrogado, ouve-se os gritos dos cidadãos sendo torturados o tempo todo, o que causa angústia no espectador e o insere dentro da experiência dolorosa, não apenas expõe uma imagem distanciada proporcionando mero voyerismo.

    A liderança do movimento grevista do estaleiro de Gdansk, 10 anos depois, mostra diversos aspectos interessantes nas relações humanas: os conflitos de opinião que surgem no próprio grupo, o uso das massas para o alcance de objetivos, a inevitável dispersão quando alguma conquista individual é alcançada, etc. Um ótimo panorama sobre lideres e o laço ilusório criado entre eles e o povo.

    Para fazer um retrato humano, o diretor dá grande espaço à companheira de Walesa, Danuta, a qual precisa cuidar de seis filhos e do ambiente familiar - sempre colocado em risco pela inclinação à coletividade do marido. Esse embate entre público e privado rende boas cenas, a exemplo de quando a esposa coloca dezenas de militantes para fora do apartamento do casal.

    Esteticamente, a opção de inserir os atores em cenas históricas cria um efeito, digamos, tosco. Talvez fosse mais eficiente e prático utilizar as passagens reais completas. Em termos de atuação, o par principal se sai bem e alguns pouco coadjuvantes deixam a desejar. Destaque ainda para a trilha de punk rock polonês. 

    Em 1980, após Gdansk, vários direitos foram alcançados, mas a lei marcial os levou a derrocada. A história se fez justa e, após muitos anos e mudanças, Walesa chegou à presidência da Polônia, onde exerceu o cargo entre 1990 e 1995. Em 2000, obteve apenas 1% dos votos nas eleições. As coisas realmente mudam, mais ainda quando se trata de política.

    Imaginava-se que a queda do muro de Berlim e o fim dos regimes comunistas traria liberdade. A cena de Walesa aclamado nos EUA retrata bem esse sentimento. Mas, como menciona Aldous Huxley, "a ditadura perfeita terá as aparências da democracia". Sempre necessário refletir sobre o assunto, e este filme histórico cumpre bem seu papel.

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