WHISKY

WHISKY

(Whisky)

2003 , 95 MIN.

Gênero: Comédia Dramática

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Juan Pablo Rebella, Pablo Stoll

    Equipe técnica

    Roteiro: Gonzalo Delgado, Juan Pablo Rebella, Pablo Stoll

    Produção: Christoph Friedel, Fernando Epstein, Hernán Musaluppi

    Fotografia: Bárbara Álvarez

    Estúdio: Rizoma Films

    Elenco

    Alfonso Tort, Ana Katz, Andrés Pazos, Daniel Hendler, Jorge Bolani, Mirella Pascual

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Pense em quantas vezes você fingiu estar mais feliz do que realmente estava. Cumprimentou uma pessoa que não gostasse, ou até puxou papo com ela, para não ficar sozinho em uma festa. Disse “xis” para sorrir ao fotógrafo, mesmo quando não tinha vontade alguma de mostrar felicidade. Porque, na maioria das vezes, nossa vida é mais simples do que complicada, ou cheia de sorrisos e vontade de chorar. Ela é mais ou menos como a tragicomédia Whisky: simples, tediosa, cujo único charme está presente na forma como é vista.

    Jacobo (Andrés Azos) é um homem com seus cinqüenta e poucos anos. Proprietário de uma fábrica de meias em Montevidéu, pouco fez para ter uma vida melhor, mais feliz. Permaneceu solteiro, tocando sua fábrica cheia de máquinas velhas e meias feias e, também, cuidando da mãe doente, que morreu há pouco tempo. Seu irmão Hermann (Jorge Bolani) não. Ele mudou-se para o Brasil, onde também tem uma fábrica de meias, aparentemente muito mais moderna do que a de Jacobo, e uma família. Quando a lápide da mãe dos dois é trocada, Hermann resolve passar um tempo em Montevidéu ao lado do irmão como uma forma de recompensar o tempo perdido.

    Jacobo, no entanto, não quer que o irmão mais novo perceba a vida vazia que sempre levou. É quando ele pede para Marta (Ana Katz), sua mais antiga funcionária, para fingir que é sua mulher. Nada mais natural. Afinal, na fábrica, eles compartilham uma rotina diária, como duas pessoas casadas há décadas. Ela faz o chá de Jacobo sempre na mesma hora, os dois trocam sempre as mesmas frases. Naturalmente, ela aceita a proposta do chefe e se muda temporariamente a casa dele, pelo menos até que Hermann vá embora. Não demora muito para que a rotina estabelecida pelos dois seja estendida ao apartamento simples de Jacobo.

    Quando Hermann chega, propõe ao “casal” uma viagem a um balneário onde os irmãos sempre ficavam durante a infância. É somente nesse local que uma rotina, aparentemente estabelecida há anos entre Jacobo e Marta, é quebrada, não somente pela mudança de cenário, mas, principalmente, pela presença de Hermann.

    O roteiro de Whisky não é dos mais mirabolantes, e é exatamente aí que está o grande mérito do filme dirigido e escrito pela dupla Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll. A fotografia de Bárbara Álvarez valoriza enquadramentos que fogem do comum presente na vida dos personagens, outro charme do longa, escolhido como o melhor pela crítica internacional de Cannes.

    O filme é repleto de situações tragicômicas: apesar da vontade de dar risada, você se sente meio mal por isso. Afinal, Whisky é um filme triste, agridoce, e seus personagens são cheios de mágoas, apesar de dizerem “whisky” para sorrir na foto. Mais ou menos como eu, ou você.

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