Winter, o Golfinho 2

WINTER, O GOLFINHO 2

(Dolphin Tale 2)

2014 , 107 MIN.

Gênero: Aventura

Estréia: 11/09/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Charles Martin Smith

    Equipe técnica

    Roteiro: Charles Martin Smith

    Produção: Andrew A. Kosove, Broderick Johnson

    Estúdio: Alcon Entertainment

    Distribuidora: Warner Bros

    Elenco

    Ashley Judd, Austin Stowell, Denis Arndt, Harry Connick Jr, Kris Kristofferson, Morgan Freeman, Nathan Gamble, Taylor Blackwell

  • Crítica

    10/09/2014 15h05

    Eu não gosto de golfinhos. Nada contra, sei que são animais legais de brincar em resorts e aquários, mas alguma coisa no som que eles fazem e na sua pele lisa demais me dá certa aflição. Porém, mesmo pessoas como eu não conseguiram deixar de se sensibilizar com a história de Winter, golfinho que teve a cauda amputada e só sobreviveu graças a uma prótese. Na sequência, o diretor Charles Martin Smith consegue trazer de volta a empatia por essa simpática história e apresenta bem novos conflitos.

    Na volta ao hospital marinho e aquário Clearwater, instituição real da Flórida, acompanhamos um novo drama na vida de Winter: com a morte de sua companheira de tanque, surge a ameaça de uma transferência pois, pela lei local, animais em cativeiro precisam de companhia. A necessidade de uma continuação é a mesma para o caso de filmes como Beethoven. Precisava? Não, mas assim como agradou ver aquele cachorro maluco novamente na telona, também vale a pena ver esse golfinho.

    Sawyer (Nathan Gamble), protagonista do primeiro, agora é adolescente e precisa decidir se deixa seu trabalho com Winter para fazer intercâmbio em biologia marítima a bordo de um veleiro. É tocante ver que a criança problemática se tornou exemplo de cuidado com animais e, mesmo que essa parte da história seja ficção, não podemos deixar de imaginar o ótimo trabalho feito pelos voluntários que trabalham nesse hospital veterinário na vida real.

    Voltando ao filme, uma boa decisão do diretor Charles Martin Smith foi deixar de explorar o possível romance entre Sawyer e Hazel (Cozi Zuehlsdorff). O cineasta poderia muito bem ter incluído cenas românticas desnecessárias para um filme infantil, simplesmente para "encher linguiça", mas ele preferiu manter o foco na história principal. Assim, a história apenas deixa no ar que Sawyer encontrou o amor com uma garota de sua idade e é só isso que precisamos saber.

    O retorno do elenco original de peso é outro fator positivo. O longa traz Morgan Freeman (Dr. Cameron McCarthy), Ashley Judd (Lorraine), Harry Connick Jr.(Dr. Clay Haskett) e Kris Kristofferson (Reed Haskett), que facilmente poderiam estar envolvidos em outros projetos e retornam para essa continuação pela admiração à história de Winter, como deixaram claro no making-off. Eles cumprem o papel de apresentar rostos conhecidos ao público, mas não brilham, diferente do pelicano Rufus, personagem que dá toque de humor com seu comportamento louco e inexplicável para uma ave, que, por sinal, foi muito bem treinada.

    O filme, assim como o primeiro, já vem com ar de Sessão da Tarde e não vai fugir disso: não existe nada muito complexo no roteiro e o foco é praticamente deixar a golfinho guiar a história, auxiliada por dramas paralelos como a difícil passagem para a vida adulta do casal de adolescentes e outros problemas cotidianos do aquário. Mas não se engane, essa produção água com açúcar ainda vale muito mais à pena do que Eliana Em O Segredo Dos Golfinhos, no qual a apresentadora quer ser o centro das atenções a cada cena e ofusca até o pobre golfinho animatrônico com quem atua.

    Apesar de elementos como Rufus garantirem leveza ao filme, a produção não é tão divertida e despretensiosa como Bud - O Cão Amigo, filme também dirigido por Smith. A existência de diversos conflitos confere aspecto dramático ao longa, que não deve arrancar grandes risadas da criançada, mas sim sorrisos de compaixão, apesear de cenas mais pesadas, como o amputamento da cauda de Winter no filme anterior, ficarem de fora.

    No final das contas, o único momento em que realmente não dá para segurar o nó na garganta é nos créditos finais, quando aparecem as imagens reais do resgate de animais em Clearwater e da pequena Hope, golfinho encalhado que é a esperança de recuperação de Winter. Além disso, também dá pra ver um pouco do trabalho que eles fazem de integração entre os animais, crianças, adultos e idosos que também tiveram membros amputados e usam próteses.

    Winter, O Golfinho 2 segue a mesma proposta do seu predecessor e cumpre o que promete: é uma história agradável. A beleza fica por conta da combinação de pelas tomadas debaixo d'água, dos animais marinhos e da ensolarada Flórida. Cinematograficamente, não há nenhuma novidade, afinal tudo é feito da maneira mais direta possível. O maior mérito do longa é fazer o espectador sair do cinema com a fé na humanidade restaurada, graças ao exemplo que o instituto Clearwater tem dado ao público.

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