Poster filmei

SONO DE INVERNO

(Kis Uykusu)

2014 , 196 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 30/04/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nuri Bilge Ceylan

    Equipe técnica

    Roteiro: Ebru Ceylan, Nuri Bilge Ceylan

    Produção: Zeynep Ozbatur Atakan

    Fotografia: Gökhan Tiryaki

    Estúdio: Bredok Filmproduction, Memento Films Production, Zeynofilm

    Montador: Bora Göksingöl, Nuri Bilge Ceylan

    Distribuidora: Pandora Filmes

    Elenco

    Ayberk Pekcan, Demet Akbag, Ekrem Ilhan, Emirhan Doruktutan, Fatma Deniz Yildiz, Haluk Bilginer, Melisa Sözen, Nadir Saribacak, Nejat Isler, Rabia Özel, Serhat Mustafa Kiliç, Tamer Levent

  • Crítica

    23/10/2014 18h13

    Há tanto o que dizer sobre Winter Sleep que é difícil saber por onde começar. Extremamente reflexivo e de uma crueldade belíssima, o filme do turco Nuri Ceylan é tão grandioso quando sua duração - são mais de 3 horas de diálogos complexos que renderam ao diretor sua primeira Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano.

    Winter Sleep é ambientado em um hotel na região íngreme da Capadócia, na Turquia, onde Aydin (Haluk Bilginer) decidiu se recolher após a carreira frustrada como ator. Lá, vive dividido entre a redação de colunas para um jornal local irrelevante e as pesquisas para escrever seu primeiro livro, um apanhado histórico sobre o teatro turco.

    Ele vive entre a mulher, a jovem Nihal (Melisa Sözen), e a irmã, Necla (Demet Akbag), ambas fragilizadas por conviverem com a sua presença. O desconforto provocado por essa convivência vem de uma estranha relação de poder praticada por Aydin. Sua personalidade cruel e por vezes perversa parece visar não somente a dependência financeira dos que o rodeiam, mas também o domínio intelectual sobre tudo e todos.

    Na discussão e no entendimento dessas relações emerge aquilo que as tornam dotadas de tamanha complexidade, algo que parece sempre um jogo de atuação, um desafio de leitura para o espectador. Há tempo para discussões tão complexas em Winter Sleep que a longa duração e o tom por vezes excessivamente formal parecem combinar perfeitamente com os assuntos que a narrativa traz à superfície.

    Seja quando aborda a difícil tentativa de entender o papel do intelectual no mundo moderno (em seu melhor diálogo), seja quando aborda a fragilidade das relações em um mundo dominado pelas disputas motivadas por dinheiro, Ceylan mostra uma maturidade argumentativa que encanta. Seu uso do tempo narrativo, que parece transcorrer de maneira natural, mostra um desenvolvimento sutil desta trama que não procura criar grandes momentos, mas sim dissecar esses personagens para promover um diálogo com nós, os espectadores.

    Quando Nihal acusa Aydin de ser um homem insuportável ou quando Necla revela que gostaria de ter a mesma capacidade de autoengano que ele possui, percebemos o quando está no subtexto dessas relações, em cima de quantas coisas não ditas estas relações foram costuradas. 

    A consistência de seu roteiro só funciona porque o cuidado visual do diretor e o pensamento articulado por meio de sua câmera comprovam seu grande cinema. A fotografia de Gokhan Tiryaki, que repete novamente a parceria com o diretor, mostra um trabalho que procura alternar íntimo e amplo, detalhe e panorama, algo que a rica paisagem da Capadócia parece ajudar. 

    Nuri Ceylan parece apto a fazer grandes reflexões sobre a vida, algo que já realizou em seu longa mais conhecido, Era Uma Vez Na Anatólia. Mas, talvez nunca tenha seguido caminho tão longo como aqui: seu estudo multifacetado da fragilidade humana e das implicações morais de nossas decisões ultrapassa o retrato intimista que aprisiona um olhar menos atento e força um retorno para a realidade. Assistir Winter Sleep é como olhar para dentro de nós mesmos com os olhos dos outros. Uma obra-prima.

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