XUXA POP STAR

XUXA POP STAR

(Xuxa Pop Star)

2000 , 83 MIN.

Gênero: Comédia Romântica

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paulo Sérgio de Almeida, Tizuka Yamasaki

    Equipe técnica

    Roteiro: Elizeu Ewald, Vivien Perl, Wagner de Assis

    Produção: Diler Trindade

    Fotografia: Cezar Moraes

    Trilha Sonora: Deborah Blando, Maurício Manieri, Mu Carvalho

    Estúdio: Diler & Associados, Labo Cine do Brasil Ltda, Motion, Quanta Centro de Produções Cinematográficas, Tibet Filme, Warner Bros, Xuxa Produções

    Elenco

    Adriana Restlé, Alexandre Pires, Ana Paula Almeida, André Bankoff, Andréa Leal, Andréa Veiga, Brunno Abrahão, Bruno (do KLB), Cláudia Rodrigues, Cláudio Corrêa e Castro, Daiane de Almeida, Dana de Oliveira, Deborah Blando, Douglas Rasmussen, Edson Freitas, Fernando Torquato, Gianne Albertoni, Gustavo Moraes, Hugo Resende, Isabelle Drummond, Kiko (do KLB), Leandro (do KLB), Leonardo, Leonardo Netto, Luigi Baricelli, Luiz Salém, Marcelo Sommer, Marcius Chadler, Marcos Frota, Mauro Freire, Otávio Mesquita, Renata Pitanga, Scheila Carvalho, Scheila Mello, Sílvia Pfeifer, Stephanie Gulin, Thalita Alves, Vanessa Alves, Xuxa Meneghel

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Pop Star não pode ser considerado um filme ruim. Mesmo porque ele não é um filme. É apenas um alinhavado de clipes musicais feitos para a divulgação de grupos populares. Entre um clipe e outro, se tenta contar uma história. Apenas se tenta. Nunca se consegue. A proposta básica é clara: ganhar dinheiro. Nada mais.

    O enredo que tenta se encaixar entre os clipes fala de uma ex-top model internacional (Xuxa) que vira executiva de moda para combater um empresário inescrupuloso (Marcos Frota). Enquanto isso, ela mantém um romance na internet com um pretendente misterioso.

    Xuxa estreou no cinema nos anos 80, num filme tão ruim que já vinha com erro de português incluído no título: Aluga-se Moças (o correto seria "Alugam-se"). Em 82, fez par romântico com Almir Rogério na aventura brego-musical Fuscão Preto, e no mesmo ano atuou no polêmico Amor Estranho Amor, de Walter Hugo Khoury, onde ela aparece nua e seduz um "baixinho". Através de ação judicial, Xuxa conseguiu travar a distribuição em vídeo de Amor Estranho Amor, mas as fotos do filme até hoje correm soltas na internet. No ano seguinte passou a fazer participações especiais nos filmes dos Trapalhões, e em 88 preferiu alçar vôo solo no tosco Super Xuxa Contra o Baixo Astral. Em 1990 iniciou a parceria com a diretora Tizuka Yamasaki em Lua de Cristal. No mesmo ano, porém, o desgoverno Collor quase acabou com a atividade cinematográfica brasileira, e a parceria só veio a ser retomada no ano passado, com Xuxa Requebra. Provando que qualidade não tem nada a ver com faturamento, o filme levou mais de dois milhões de pessoas às bilheterias, e se transformou no segundo maior sucesso da chamada fase de retomada do cinema brasileiro (o primeiro é O Auto da Compadecida).

    Este pequeno histórico serve para mostrar que a carreira de Xuxa no cinema não é exatamente nova. Ou seja, ela já deveria ter aprendido alguma coisa nestes anos todos. Em outras palavras, nada justifica a total falta de qualidade de Por Star. Há momentos em que ele se assemelha àqueles super-8 de festinhas de aniversário, feitos apenas para filmar os amigos. E os "amigos", aqui, são os grupos de pagode, os estilistas que entram e saem de cena sem o menor sentido (incluindo a irmã da Xuxa, executiva de um grife infantil) e - claro - os patrocinadores.

    Na pré-estréia realizada em São Paulo, o público deu boas gargalhadas... embora Pop Star não seja uma comédia. Uma das cenas mais comentadas - e ridicularizadas - mostra Leonardo (da extinta dupla Leandro & Leonardo) cantando solitário ao seu violão, e olhando profunda e apaixonadamente nos olhos de Xuxa. Quando a canção termina, ele continua olhando para ela e diz, fingindo surpresa: "Oi! Você estava aí?". A platéia vem abaixo. Poucos minutos depois, exatamente a mesma situação acontece com outro cantor.

    Tem mais: Xuxa pede uma pizza em seu apartamento. O cheiro atrai um vizinho. Aliás, vários vizinhos: um grupo de pagode que toca campainha, entra na sala de Xuxa e começa a cantar sem mais nem menos. Outro ataque de risos do público.

    O desfile de patrocinadores também é cômico: as cenas de merchandising explícitas se sucedem dentro do mais profundo amadorismo. Se os anunciantes vissem a reação da platéia certamente eles retirariam seus investimentos.

    A nota triste fica por conta do patético "mico" pago por atores de talento consagrado, como Cláudio Correa a Castro, Silvia Pfeiffer e o próprio Marcos Frota, que tiveram a desonra de participar de um projeto tão abaixo de suas possibilidades artísticas.

    De qualquer maneira, o filme estréia em 300 salas (um quinto de todos os cinemas existentes no Brasil), e com o suporte técnico e logístico da poderosa Warner. Vai render um dinheirão!



    13 de dezembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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