Akiva Goldsman

25/05/2009 17h40

Por Da Redação

De quem foi a idéia de colocar pôsteres falsos de filmes de Batman e Superman no filme?
O filme do Superman é baseado num roteiro que escrevi para a Warner Bros. há dez anos. É um roteiro muito interessante. Essas imagens foram adicionadas digitalmente ao filme, então, o estúdio não poderia fazer nada sobre isso (risos).

O filme tem alguns elementos espirituais e religiosos que parecem ter sido colocados lá de uma forma precisamente calculada. Correto?
Tudo no filme é calculado precisamente para que se conecte com o público. Ele não deixa de ser uma obra para entretenimento. Um filme serve para provocar emoção no espectador, o único problema é quando não o faz.

Como você trabalhou com este roteiro sabendo das versões anteriores?
Nosso filme é como um filho bastardo do roteiro de A Última Esperança da Terra (1971), que nos inspirou. A primeira metade de Eu Sou a Lenda é puramente o livro; a segunda é o filme de 1971. Inclusive, a primeira vez que tomei contato com a história foi vendo A Última Esperança da Terra. Lembro-me de ter assistido ao filme quando era criança e, depois, li o livro. Nem sabia que tinha originado anteriormente uma produção com o Vincent Price (Mortos que Matam, de 1964) antes de produzirmos Eu Sou a Lenda. A Última Esperança da Terra carrega uma esperança que não há no livro e queríamos esta abordagem do filme.

O próprio Richard Matheson (autor do livro) disse que está produzindo a seqüência de Eu Sou a Lenda. É verdade?
Quando estava escrevendo o roteiro, liguei para Richard e brinquei que era o próximo babaca a estragar a história dele. Ele foi ótimo, receptivo. Quando o filme ficou pronto, ele o assistiu numa projeção teste e ele adorou, sendo que achávamos que odiaria. Ele tem uns dois mil anos, usa uma máquina de escrever velha e tal. Ficamos sabendo de umas quatro histórias em quadrinhos que preenchem algumas lacunas que a história deixa, mas não há confirmação de uma continuação.

Existe uma diferença grande das criaturas em Eu Sou a Lenda se comparadas a A Última Esperança da Terra. Por quê?
Fundamentalmente, o que fizemos foi eliminar o vilão da história. Para isso, reduzimos o papel dos antagonistas, mostrando-os mais selvagens possíveis para que aparecessem em poucos períodos do longa. O personagem Mathias de A Última Esperança da Terra não existe neste filme. Eliminamos personagens para que a história tivesse mais impacto mesmo.

Vocês pensaram em manter a cena no cinema de A Última Esperança da Terra?
Sim e não. É uma das cenas mais marcantes no filme, mas não conseguimos descobrir como colocá-la na história. O motivo não é forte o suficiente para que ele entrasse no escuro (risos)! Achamos que salvar Sam na outra cena seria um motivo mais forte, além de tocar mais os espectadores, então eliminamos o cinema desta história.

Você mora em Nova York?
Sim e sempre quis que o filme se passasse na cidade. Não está claro em A Última Esperança da Terra onde a história se passa, mas o livro se passa em Los Angeles por ser uma cidade que simboliza a alienação norte-americana. Cinematograficamente, no entanto, não seria tão interessante, pois a cidade não é muito icônica.

Você teve algum tipo de preocupação em relação ao que o que o público norte-americano pensaria ao saber que o último homem no planeta é negro?
Engraçado. Todos amam Will Smith, então nem pensamos nisso, graças a Deus! Estamos prestes a ter um homem negro como presidente (o senador Barack Obama, um dos pré-candidatos ao cargo) e, no pior do caso, uma mulher (o comentário sobre a senadora Hillary Clinton deixou as mulheres da mesa um tanto quanto constrangidas).

Você imagina como será Hollywood se os roteiristas ficarem parados por muito mais tempo?
Como produtor, a greve não está mudando muito meu cotidiano. O último filme que finalizamos foi Hancock e foi antes da paralização. Por outro lado, estava escrevendo Angels & Demons, continuação de O Código Da Vinci, e este trabalho foi adiado pela greve. Não como as coisas ficarão caso a greve se estenda.

Como estão as negociações para o fim da greve dos roteiristas?
Não sei. Estou ciente de conversas de diretores com os estúdios, mas não existem mais negociações com os roteiristas. Provavelmente, o acordo sairá com os diretores, mas tudo dependerá do comportamento dos atores porque ninguém se importa com os roteiristas, mas, se os atores forem envolvidos na paralisação, como já ocorreu, a greve acaba. O que eles fizeram o Globo de Ouro (os atores recusaram-se a comparecer à festa da premiação, que foi cancelada por isso) foi simbólico, mas são eles que movimentam os negócios em Hollywood. Portanto, foi bom para nós (roteiristas), foi bom ter seu apoio, além ser bastante útil na negociação.

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