Alice Braga (Cinturão Vermelho)

25/05/2009 17h40

Por Da Redação

Não te cansa um pouco essa cobrança em relação à sua carreira de atriz internacional?
As pessoas lá fora têm sido bem carinhosas. Sempre se fica sujeito a julgamentos, mas não é isso que tenho sentido. Mas não pretendo trabalhar lá fora sempre, tanto que meu próximo projeto é o filme do Marco Ricca (Cabeça a Prêmio), o qual começamos a filmar em setembro no Mato Grosso do Sul (ênfase no Sul porque tem gente que esquece que o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul são Estados diferentes!). Nossa, o ano está voando! Setembro já tá aí! Bateu um desespero agora, gente, vou lá trabalhar!

Sua tia é uma das atrizes brasileiras mais bem-sucedidas no mercado internacional. É uma sombra para você esse parentesco?
A Soninha tem a carreira dela, de maneira nenhuma é uma sombra. Ela sempre foi uma referência para mim, mas é claro que a comparação é inevitável. Mas nossas trajetórias são diferentes e com certeza o que abriu portas para mim foi Cidade de Deus, não ser sobrinha de Sonia Braga.

Algumas pessoas criticam atores brasileiros em carreiras internacionais pela possibilidade do ator ser estereotipado. O que você acha?
É fato que o mercado norte-americano está mais aberto para o estrangeiro, independente da nacionalidade. Isso não é taxativo. Claro que eu tenho aparência latina e por isso sou escalada para certos tipos de papéis, mas dá para brincar com este universo. Até porque o mercado estrangeiro é tão grande que sempre se quer ver o meu tipo de ator.

Você acha que o fato de você e o Rodrigo Santoro estarem galgando degraus no mercado internacional dá espaço para outros atores brasileiros?
Com certeza. A gente é decorrência do que o cinema brasileiro tem feito nos últimos anos. Grandes cineastas abriram a porta para nós. No final, o mais importante é o que fazemos por aqui.

Você já é famosa como atriz de cinema, mas não tem experiência na TV. Conseqüentemente, o grande público não te conhece. Isso te incomoda?
Quero seguir trabalhando ao mesmo tempo em que quero que as pessoas vejam meu trabalho. Não me preocupa ser reconhecida, tudo depende da maneira como você lida com isso. Para mim, o Wagner Moura é um grande exemplo de ato com abrangência popular. A linguagem da TV me interessa, sempre fui noveleira e acompanhava novelas quando era mais nova, me seduz o desafio do diferente e TV seria isso, mas, no momento, não penso em mais nada além do filme do Marco Ricca.

Você filmou Crossing Over com Harrison Ford. Como foi?
Foi ótimo, ele tem um entendimento de set de filmagem impressionante, o que é natural por conta de sua experiência com cinema. Eu estava sempre aprendendo, ele me dava dicas. Foi ótimo.

Há diretores ou atores com os quais você gostaria de trabalhar?
Gostaria muito de trabalhar com o Alfonso Cuaron e o Fatih Akin. Mesmo com o Rodrigo, a gente nunca atuou juntos. Ambos estamos em Cinturão Vermelho, mas não temos cenas juntos. Nos encontrávamos nos sets e nos tornamos grandes amigos, mas não nos olhamos em cena e senti falta disso. Sonho trabalhar com ele, acho que vou lá entregar meu currículo agora! (risos)

Como você foi chamada para atuar em Cinturão Vermelho?
O Renato Magno, que dá aulas de jiu-jitsu para o David Mamet, nos indicou quando ele mencionou querer escalar atores brasileiros para seu próximo filme.

Como foi trabalhar com David Mamet?
Foi um grande aprendizado, ele é um mestre.

Qual foi o grande mito cinematográfico que você desvendou ao trabalhar no mercado internacional?
Fazer cinema lá é igual aqui. Claro que muda o tamanho porque as produções lá têm mais dinheiro e recursos, mas fazer cinema é uma coisa só.