Andrés Wood (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Da Redação

O roteiro de Machuca é baseado em experiências pessoais. Conte quais foram as que levaram você a este filme.
Machuca não é autobiográfico, mas sim um projeto pessoal. Estudei em um colégio onde aconteceu um experimento didático parecido. Era uma instituição com alunos da classe média-alta da sociedade chilena, como no filme, e acabou sofrendo com o golpe militar de 73. No filme, há as lembranças de todos que o escreveram (além de Wood, Roberto Brodsky e Mamoun Hassan também participaram). Mais do que documentar os fatos da época, tentamos mostrar as sensações.

Teve um Pedro Machuca em sua vida?
Sim, havia mais de um. Conhecíamos as casas de cada um, era um momento de muitas relações intersociais.

Depois do golpe você perdeu contato com esses amigos?
Nem tanto quanto o personagem do filme. Tanto que, para fazer este filme, entrevistei muitos dos meus amigos da época.

Como você se sente tocado por esse tipo de educação?
Isso definiu muitas coisas em minha vida, como no sentido político. Foi uma experiência muito marcante.

Como Machuca foi recebido no Chile, por se tratar de uma passagem tão triste da história do país?
Sim, é sobre um momento vivido também em muitos outros países. O filme foi recebido muito bem no Chile, fazendo um ótimo público. Ele foi recebido de uma forma que saiu da esfera cinematográfica, iniciando um debate social, também tocando muito o público jovem, o que me surpreendeu.

E fora do seu país, como vem sendo a recepção?
Também muito boa, o que é difícil de acontecer em se tratando de filmes chilenos. O que me deixa bastante feliz.

Como você encontrou os meninos que protagonizam Machuca?
Buscamos muito. Como não há muitos atores profissionais no Chile, buscamos em escolas, cursos de teatro... Quando encontramos, ensaiamos muito com eles.

Quanto tempo você demorou para ter Machuca pronto?
Foram três anos, fiquei um ano e meio escrevendo o roteiro.

Como você fez a pesquisa para o roteiro? Vocês encontraram alguma dificuldade para ter acesso a algumas informações da época?
Como não se trata de uma documentação da época, não precisei fazer muitas pesquisas históricas. Não é um documentário, mas sim uma forma de mostrar o sentimento da época, misturando música, imagens e idéias. Essa era nossa intenção. No entanto, algumas pessoas não quiseram ajudar, o que é natural. Mas ninguém me proibiu de fazer nada.

Por que você resolveu escolher o ponto de vista infantil para contar esta história?
Principalmente porque era essa a nossa idade na época. Além disso, esse ponto de vista é sensível e nos dá mais liberdade, não pedindo um relato onisciente.

Quais são suas expectativas em relação ao Oscar?
Queremos muito que essa indicação aconteça, claro, já que isso seria muito bom não somente para este filme, mas para toda a cinematografia chilena. Nunca se faz um filme pensando no Oscar, mas isso seria muito bom.

Fale sobre como é fazer filmes no Chile.
É muito difícil, como em quase todos os países. Acho que é mais difícil do que fazer aqui no Brasil, já que há menos ajuda estatal e o público é bem menor - temos 15 milhões de habitantes no total.