Antonio Calloni (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Da Redação

Como você se envolveu com o projeto de Anjos do Sol?
O Foguinho (apelido de Rudi Lagemann, diretor do filme) me chamou. Logo ele me mandou o roteiro e fiquei fascinado com o tema e com o lado do entretenimento que o roteiro fornecia. A história tem um toque de aventura, o espectador quer saber se a Maria vai conseguir fugir, o que vai acontecer com essa gente... Não é um documentário. Nada contra esse tipo de produção, adoro essa linguagem, mas é um filme de ficção. Então ele tem esse tratamento fantástico no sentido do entretenimento aliado ao cunho social muito forte. Inclusive, temos de falar bastante sobre isso até que as coisas passem a caminhar melhor.

Como foi a preparação para viver o papel de Saraiva?
Foi difícil e muito prazeroso, fiquei muito feliz com o resultado. Essas referências já se têm muito. Vendo as pesquisas que o Foguinho fez, há o caso de um cafetão que degolou uma garota. Então, esse tipo de gente que vive num lugar desses não é propriamente um vilão. Por incrível que pareça, o Saraiva também tem humor. O Hitler, na vida dele, deve ter contado uma piada para um amigo, né? É que ninguém viu. Não, evidentemente, defendendo as coisas que ele fez, mas existe uma coisa humana e é assustador perceber que a gente tem essa capacidade de ser cruel. Faz parte do nosso repertório, mas escolhemos não ser como o Saraiva, né? Mas a gente é capaz porque é uma coisa humana. O Saraiva vive nesse ambiente, criou aquelas regras e vive sob uma ética particular. É um personagem fascinante porque você pode pesquisar essa coisa da crueldade como algo cotidiano.

Você pensou em alguma pessoa real na composição do papel?
Não, nenhuma figura específica ou personagem chegou a me inspirar para o papel. Trabalhei mais com a questão da postura, de se entregar às circunstâncias, de entrar na situação e tentar entender aquele universo.

Quais foram as maiores dificuldades em Anjos do Sol?
O tempo. O resto foi só prazer. Adorei ter conhecido o Foguinho, ter trabalhado com ele, e pretendo trabalhar novamente porque ele respeitou o depoimento dos atores, não fez com que os atores simplesmente o obedecessem. Se você quer ser obedecido, vá dar aulas no jardim de infância. O ideal é quando alguém te chama para trabalhar e ouve o que você fala e foi o que aconteceu. Mas, como eu estava gravando a novela Começar de Novo durante as filmagens, tinha de dividir meu tempo e o Foguinho foi supercompreensivo. Alguns dias eu nem dormia para dar conta. Mas no final foi um barato.

Como você vê a importância de Saraiva em sua carreira?
É um divisor de águas pela intensidade do projeto, pelo personagem. Como te disse, não queria fazer um vilão do Saraiva, espero ter conseguido! Por ter entrado nesse projeto, foi um acontecimento muito positivo em minha vida.

Como você tem sentido a recepção do público que já assistiu a Anjos do Sol?
O filme tem sido muito bem recebido. As pessoas ficam tocadas com o filme porque ele quer levantar mesmo esse problema, deixar ele mais visível ainda. Não é uma surpresa: a gente que fique em foco até que a coisa seja resolvida ou, pelo menos, encaminhada para o início de uma resolução, pelo menos. As coisas caminham de forma que essa situação seja encarada sem tréguas.

Leia entrevista com o diretor Rudi Lagemann.