Frozen: Confira entrevista exclusiva com diretores da animação

Chris Buck e Jennifer Lee falam sobre a criação do longa e avaliam novo cenário das animações

02/01/2014 14h38

Por Ana Carolina Addario

Em 1995, quando a aventura dos brinquedos de Andy chegou ao cinema com o lançamento de Toy Story, o mundo percebeu que a indústria de animações estava mudando. Os tradicionais contos de fadas que popularizaram a Disney sentiram a ameaça, já que uma nova gama de personagens e enredos começou a surgir nas telonas. Ainda assim, boas histórias são impassíveis ao tempo e vão sempre encontrar seu público.

Com estreia nacional prevista para a próxima sexta-feira, 3, o longa Frozen - Uma Aventura Congelante é prova de que as fábulas do passado sobrevivem ao tempo e, se adaptadas ao universo atual, aos valores de seu público. "Sentimos que poderíamos tirar licença para criar algo mais atemporal e oportuno". As palavras são de Chris Buck, veterano do mundo das animações que, ao lado de Jennifer Lee, dirigiu Frozen.

Em entrevista exclusiva ao Cineclick, os diretores contaram detalhes sobre a produção da primeira estreia da Disney do ano e sobre os desafios de adaptar A Rainha da Neve, famoso conto do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.

Confira!

Cineclick: Frozen foi inspirado em A Rainha da Neve, conto de Christian Andersen. Quais foram os desafios de recriar um conto tão famoso?

Jennifer Lee: O conto original é muito complexo e poético, do qual gostamos muito. Nos inspiramos na história, mas tomamos a liberdade de adaptar para algo mais compatível com o nosso tempo.

Cineclick: A trama mostra como o medo e a negatividade podem mudar sua vida, mas também é uma história sobre vínculos familiares. Há pouco tempo, Valente também explorou este tema. O assunto é uma nova prioridade para o mundo das animações?

Chris Buck: Não acho que o tema família seja algo novo para as animações porque sempre foi algo importante para todos e naturalmente é importante para este filme também. Nesta história, Anna representa o amor e Elsa, o medo. O que as mantém próximas como deve ser uma família é o fato de Anna nunca desistir da irmã, ela está disposta a enfrentar o que for preciso para salvar seu reino e acabar com esse medo que vive dentro de Elsa.

Cineclick: E falando sobre Anna, ela é uma garota durona. Será este o rosto das novas princesas da nossa era?

CB: Acho que o conceito das novas princesas é que elas são mais possíveis de se acreditar, mais parecidas com a gente, conseguimos nos identificar com elas. Embora tenham este título de nobreza no filme, nunca encarei Anna e Elsa como princesas apenas, até porque essa característica jamais as impediria de fazer o que deveriam para vencer no final. Elas erram durante a história, não acertam de primeira.

Cineclick: A maioria dos personagens do filme é engraçada, parece que todos eles compartilham de uma linha de humor na sua construção. Qual é a importância do humor para Frozen?

CB: Sempre buscamos trazer humor o máximo que podemos. Com Anna, estamos falando de Kristen Bell, que é uma atriz muito engraçada e nos ajudou na criação da personagem. Ela fez questão de dar esse tom cômico à personagem, o que ajudou a criar esse ar adorável. E temos também Josh Gad interpretando Olaf, que também participou de sua criação muito de perto e foi responsável por dar aquele ar ingênuo e divertido que vemos na tela.

JL: A parte curiosa de dirigir estes atores era que, muitas vezes, eles nem estavam tentando ser engraçados, mas acabavam passando essa sensação naturalmente. Nós achamos incrível porque eles conseguiram dar um ar engraçado para uma história como esta, que é tão emocional.

Cineclick: Realmente, é um filme muito emocionamente, principalmente por causa de suas canções. Como foi o processo de criação da trilha e que tipo de inspiração foi utilizada?

CB: Contamos com uma ótima equipe além de grandes contadores de histórias. Trabalhamos duas horas durante todos os dias por videoconferência para garantir que as canções transmitissem o que esperávamos.

JL: O que mais gosto sobre as canções é que elas conseguem se comunicar diretamente com as crianças, além de complementar lindamente as informações visuais do filme. É um trabalho estético que comunica muito bem internamente, entre si, e também com seu público.

Cineclick: O que as crianças de hoje esperam de um desenho animado?

CB: Elas esperam se divertir, mas também querem se emocionar vendo um filme. Tentamos entreter tanto os pequenos como os mais velhos, mas acho que as crianças continuam esperando uma boa oportunidade para embarcar em uma nova aventura.