Beto Brant (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Angélica Bito

Seus filmes anteriores dialogam com a metrópole. O que você diria aos que esperavam isso em Crime Delicado?
Diria que estou buscando outros caminhos. Isso tem a ver com minha maturidade.

Crime Delicado marca uma mudança de rumos em sua cinematografia?
Foi uma experiência, um segundo caminho. O terceiro quero percorrer no meu próximo projeto, Cão Sem Dono, adaptação de um livro escrito por Daniel Galera (Até o Dia em que o Cão Morreu), que vou filmar em Porto Alegre (RS). Depois, pretendo adaptar o último livro de Marçal Aquino (Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios). Eu já filmei a violência rural (Os Matadores), uma trama política (Ação Entre Amigos) e essa violência urbana paulistana (O Invasor). Não fiz concessões nestes filmes e tenho de arcar com as responsabilidades disso.

Qual é o terceiro caminho que você pretende tomar em Cão Sem Dono?
O personagem principal é como um cachorro de rua, ele vai para o mundo. É um cara que estudou e sem esse sentimento de inadequação. Por isso, ele vira um sujeito errante, como um cão que batalha para viver na rua. O filme é sobre esse paralelo entre o cão e esse moleque de 28 anos.

Como foi a recepção do público nos festivais onde Crime Delicado foi exibido?
Foi muito bom. No filme a gente tematiza o papel da crítica e ela mesma tem recebido muito bem. Semana que vem vamos ao Festival de Rotterdam. Os festivais são muito importantes para um cinema menos comprometido com grandes distribuidores e sempre que nos chamamos estamos lá com o filme.

Como você se envolveu com o projeto de Crime Delicado?
Eu já conhecia outros livros do Sérgio Sant'Anna que o Marçal Aquino havia me indicado, mas o Marco me veio com esse livro querendo que eu o realizasse. Fizemos o roteiro juntos - com a contribuição de um autor teatral (Mauricio Paroni de Castro) e um advogado criminalista (Luiz Francisco Carvalho Filho). Muitas alianças vieram no meio do projeto. Crime Delicado foi uma reunião de acasos de grandes artistas.

Você já pensou em seguir carreira internacional como outros diretores brasileiros?
Não tenho essa ambição. Com dois projetos na cabeça, sei que ficarei trabalhando neles pelo menos nos próximos cinco anos. Isso sem contar que com certeza mais alguma coisa nova surgirá na minha cabeça nesse meio-tempo. Além disso, não quero ter de lidar com grandes produtores, uma língua estrangeira... Então, por enquanto, não me interesso nisso.

Leia, também, entrevista com Marco Ricca sobre Crime Delicado.