Betty Faria é homenageada pela carreira no Festival de Vitória

Atriz conversou com nossa reportagem e afirmou querer muito mais

01/11/2013 13h38

Por Roberto Guerra, enviado especial a Vitória

Betty Faria

Betty Faria recece troféu Marlim Azul: "Quero muito mais personagens e homenagens"

Foto: Cláudio Postay


Betty Faria subiu ao palco da Estação Porto, no Centro de Vitória, na noite desta quinta-feira (31), para ser receber o troféu Marlim Azul pela carreira. A atriz é a grande homenageada da 20ª edição do Festival de Vitória, que segue até o dia 2 de novembro na capital do Espírito Santo.

Betty atuou em filmes que se tornaram clássicos, como Bye, Bye Brasil (1979) e Romance da Empregada (1988). Sua estreia no cinema foi em 1964 em O Beijo; o trabalho mais recente foi na comédia Casa da Mãe Joana 2. Em entrevista exclusiva ao Cineclick, a estrela falou da carreira e revelou os filmes que marcaram sua trajetória.

Por trás de uma homenagem há o reconhecimento a uma carreira bem-sucedida. Olhando para trás, você acha que valeu a pena?
Na minha vida, minha carreira, nada foi muito fácil, mas quando veio, veio lindo. Tem muitas coisas que faria diferente, muitas mesmo. Eu recusei papéis de que me arrependo. Me arrependo também de determinados comportamentos. Hoje sou muito melhor atriz e melhor pessoa também. Acho que isso é, ou deveria ser, a evolução de todo ser humano. Estou satisfeita com o que fiz, mas quero muito mais personagens para merecer ainda mais homenagens.

É comum ver atrizes veteranas reclamando da falta de papéis por causa da idade. Você sentiu isso em algum momento da carreira?
Eu fiquei afastada um tempo porque tive problemas de saúde. Tive de me recolher e ficar quieta. Mas não acredito nisso. A Fernanda Montenegro, por exemplo, não para de trabalhar. A Meryl Streep está sempre trabalhando. Acho que essa coisa de reclamar acontece porque com a idade as pessoas vão se isolando, ficando em casa, vão se relacionando menos com outras pessoas, ficam indisponíveis. A Fernanda está em todas, está na estreia teatral, na estreia do filme. Ela se faz lembrar o tempo todo. É um grande exemplo.

Que filmes você considera os mais marcantes de sua carreira nas telas?
Existem vários filmes de que gosto muito, como Anjos do Arrabalde. O Carlão [Carlos Reichenbach] gostava muito de mim. Tem de gostar muito da pessoa para fazer a loucura de chamar uma carioca para interpretar uma professora suburbana paulista. Ele insistiu e me ensinou a falar o paulistês. E eu ganhei o Kikito com esse filme! Depois que ele se foi fiquei com a sensação que deveria ter aproveitado mais esse grande diretor. Tem também Bye Bye, Brasil, que é um escândalo, virou cult. Romance da Empregada eu também adoro. Ah... Estrela Sobe, claro, que é um filme lindo sobre a história da vida de uma cantora. Por último, gosto muito também de uma participação que fiz no filme Chega de Saudade, da Laís Bodanzky.