Bruna Lombardi (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Da Redação

Como surgiu a idéia da história do filme?
A idéia era falar dessas histórias que se escondem atrás das janelas de SP, essa megacidade, que abriga tantos heróis anônimos. Queria falar deles, desses caras invisíveis, que não estão na mídia, mas que sustentam e criam a força dessa cidade.

Quais foram os elementos usados na composição dos personagens e das tramas interligadas pela história?
Pensei muito nesses pilares opostos que são a solidão e a solidariedade. Queria falar de destinos, dessas circunstâncias da vida que mudam o rumo das nossas histórias e, de repente, a gente se pergunta se já tava tudo escrito ou a gente é que fez acontecer... Queria falar dessa vontade que as pessoas têm de acertar, vontade de dar certo e de como a própria cidade interfere nos caminhos da gente.

Podemos dizer que a essência do longa é as pessoas? Como você vê sua interação com o ambiente que, no caso, é a cidade de São Paulo?
Sem dúvida, escrevo para as pessoas e por causa delas. Sou apaixonada por gente.
As batalhas diárias, cotidianas de cada um, suas pequenas vitórias e desistências, sua fé pra continuar, sua paixão pela vida... No fundo, todos nós temos alguma coisa pra agradecer nossa passagem e todos estamos tentando descobrir como é possível melhorar as coisas.. O Signo da Cidade tem um grande e magnífico elenco. É um filme de atores para atores. Todos eles brilham e eu fico feliz porque todos têm personagens que permanecem na memória da gente.

Como foi a construção, como atriz, da personagem principal do filme?
Minha personagem, a Teca, é uma astróloga e tem um programa de rádio noturno. Os ouvintes ligam e ela ouve as intimidades, os sonhos, os desejos, as histórias de cada um. E acaba se envolvendo com eles... A construção foi a partir de muita pesquisa para descobrir esse universo maravilhoso da astrologia e daquela energia que a gente não vê, mas sabe que existe. Sou fascinada pelo universo feminino, ele sempre é muito forte e presente nos meus trabalhos. Sou daquelas que adora as mulheres e olho para elas amorosamente... O Signo da Cidade entra nesse universo íntimo da mulher por meio da Teca e com ela acompanha as vidas íntimas de outras mulheres.

Foi um trabalho de extraordinária sensibilidade, à flor da pele; a emoção com que o público recebeu o filme mostra que estamos mesmo todos conectados.

O cinema atual traz alguns exemplos de tramas interligadas na cidade grande, desde Amores Brutos a Crash - No Limite. Você vê produções assim como influência para a criação do roteiro de O Signo da Cidade?
Acho esses filmes que você citou excelentes, muito fortes e contemporâneos. Acho que nosso filme O Signo da Cidade tem essa contemporaneidade, essa busca de traduzir um sentimento muito atual que permeia nos grandes centros urbanos. A linguagem do filme tem essa universalidade. Acho que todos esses maravilhosos diretores estão buscando compreender o mundo em que estão vivendo agora, o espírito desse momento.

O que mudou nesta sua segunda experiência como roteirista?
Acredito que pude me aprofundar um pouco mais, porque as relações em SP são intensas e profundas. As pessoas que seguram a onda nessa cidade têm que mergulhar pra dentro. O que nos salva numa cidade como esta são exatamente as pessoas, essa capacidade que elas têm de superar problemas, de se reinventar, se renovar, descobrir o outro. Gosto muito das pessoas de São Paulo, o filme retrata muito isso. É uma relação amorosa com a cidade. E é lindo ver que, de alguma maneira, todos se identificam com os personagens.

Além de roteirista e atriz, você também é dona de uma produtora. Quais são as maiores dificuldades de se produzir cinema no Brasil e que tipo de evolução você vê nesse sentido?
O cinema no Brasil é feito por pessoas apaixonadas, que jogam suas vidas no risco da produção, mesmo sabendo que não vão conseguir nunca pagar todo o tempo e dedicação absoluta a um projeto de seus sonhos. Por isso mesmo, o cinema mantém essa magia e tem trazido lindos filmes, trabalhos maravilhosos, resultado dessa busca obsessiva de melhorar. O grande sonho de todos é conseguir construir uma indústria com saúde e possibilidade de emprego constante para muita gente.

O nível do talento brasileiro é dos melhores do mundo. E temos nomes como Fernando Meirelles e Walter Salles, entre outros tantos, que mostram a qualidade que o Brasil é capaz de atingir.

Carlos Alberto Riccelli fala sobre o filme.