Carlos Alberto Riccelli (Exclusivo)

25/05/2009 17h40

Por Da Redação

Os dois filmes que contam com sua direção não têm sua participação como ator, área na qual você é mais notório. Por quê?
Boa pergunta. Você devia perguntar pra Bruna por que ela não escreve personagem pra mim (risos)? Brincadeira! A verdade é que eu já acumulo as funções de produtor e diretor que já exigem todo o meu tempo e mais um pouco. De qualquer forma, nos próximos projetos, já com mais experiência como diretor, talvez eu considere trabalhar como ator, se houver papel.

Como aconteceu essa mudança de área na produção cinematográfica, de ator para diretor e produtor?
Foi uma coisa natural. A Pulsar Cinema, nossa produtora, foi criada pra produzir cinema. Como ator, sempre me interessei por todos os aspectos do cinema, sou daqueles atores que adoram ficar no set olhando os outros trabalhar. Também vou muito ao cinema e presto atenção em tudo: movimentos de câmera, iluminação, design, figurinos... Essa curiosidade me fez aprender muito sobre todos os departamentos e, uma vez decidindo que iria dirigir, isso me ajudou muito.

Como se deu a preparação dos atores para este filme?
Ensaio, muito ensaio. Minha formação como ator (sou formado na Escola de Arte Dramática de São Paulo) me ensinou que tudo precisa de muito ensaio. Contei com atores que pensavam do mesmo jeito. E, sendo ator, me coloco sempre na pele dos meus colegas, entendo suas dificuldades e o jeito de cada um trabalhar. Ouço muito, dou espaço pra eles se soltarem, tentando criar um ambiente de segurança e experimentação.

Bruna é companheira na vida pessoal e também na produção deste filme. Existiu também uma parceria na construção do roteiro assinado por ela? De que forma?
Nós temos uma relação que todo diretor deva ter com seu roteirista, acredito. Tudo começa no roteiro que ela escreve, a partir dele é que discutimos como vejo o filme. Faço observações, comentários. Procuro entender aonde ela quer chegar e trago minha visão. Trocamos notas exaustivamente até chegarmos ao roteiro final. E isso pode durar até as vésperas da filmagem.

Como fundador da Pulsar Cinema, como você vê as maiores dificuldades de se produzir cinema no Brasil e que tipo de evolução você vê nesse sentido?
As leis de incentivo estão melhorando, mas ainda há muito a fazer nos mecanismos não só do fomento, com os Funcines, mas principalmente na distribuição. E a classe cinematográfica deve ter a sua responsabilidade, profissionalizando-se cada vez mais e buscando seu público. Se a gente quer ter uma verdadeira indústria, o dinheiro captado pelos produtores com as leis não deverá mais ser a fundo perdido.

O cinema atual traz alguns exemplos de tramas interligadas na cidade grande, desde Amores Brutos a Crash - No Limite. Você vê produções assim como influência para O Signo da Cidade?
Conheço e gosto dos dois filmes citados. Não saberia dizer, no entanto, se eles foram uma influência, porque acho que influências são, ou deveriam ser, algo que um criador tem inconscientemente. São tantos os filmes que eu adoro, dos mais diferentes gêneros, estilos e nacionalidades... Com certeza, devo a todos o filme que dirigi. O mais certo é deixar para os outros a comparação e a catalogação do meu trabalho. Posso dizer que não fui para o set dizendo pra mim mesmo ou pra minha equipe: vamos fazer um filme igual ou parecido com o Amores Brutos. Não! O que a gente queria é fazer um filme que tivesse a sua própria cara, seu próprio espírito.

O roteiro certamente tem muitas histórias, mas essa é uma característica da Bruna. Ela sempre escreve pra muita gente. No romance Filmes Proibidos, que ela escreveu em 1981, já tinha um montão de personagens. E, no caso de O Signo da Cidade, isso me deu a chance de falar dessas pessoas todas da cidade de São Paulo.

Como você vê a evolução de sua carreira no sentido deste ser seu segundo longa? É hora de passar, definitivamente, para atrás das câmeras ou não existe algo definitivo traçado por você em sua trajetória profissional?
Eu sou vários. Acho que todo mundo é. A gente não pode se impor limites nem deixar os outros imporem. Vou continuar fazendo cinema, como ator, como diretor, como produtor. Vou continuar fazendo música (sem ser músico).

Bruna Lombardi fala sobre o filme.